sábado, 26 de maio de 2012

Sob ordem de despejo, indígenas seguem com ocupação à sede da Funai no Acre

Por Luana Luizy e Renato Santana,
de Brasília (DF)

Indígenas mantêm ocupação na sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Rio Branco, Acre, desde o último dia 15 sob ordem de despejo. Porém, a situação segue tensa: reintegração de posse foi solicitada pelo órgão indigenista e conforme decisão judicial deverá ser executada na terça-feira, 29. Os indígenas afirmam que permanecerão no local.

O movimento pede a saída da coordenação regional do órgão, acusada de corrupção e uso indevido do dinheiro público, melhorias nas áreas da saúde e educação, além de demarcação de 21 terras indígenas - alvos da expansão das fronteiras do agronegócio na Amazônia.

Um pedido de reintegração de posse foi encaminhado pela Funai para a Justiça Federal, que concedeu liminar. O movimento indígena recorreu da decisão e aguarda parecer da Justiça. No compasso da espera, a sede da Funai segue tomada por cerca de 120 indígenas. Porém, a mobilização deverá aumentar nos próximos dias.  

“Tivemos uma audiência na Assembleia Legislativa ontem (quinta-feira, 24), onde a Comissão de Direitos Humanos se comprometeu conosco. Cansamos de conversas, precisamos de resultados. São muitas mortes e violências. Qual a dificuldade de perceberem que lutamos por nossas vidas?”, destacou Ninawá Huni Kuĩ.

Os povos presentes na sede regional da Funai são os Jaminawa, Ashaninka, Huni Kuĩ, Madja, Nawá, Manchineri e Apolima Arara.

Mortes e violências

A reportagem do jornal Porantim percorreu durante dez dias o rio Purus, que corta o estado do Acre depois de nascer nos Andes e desaguar no estado do Amazonas. Por lá passou nos últimos dias de fevereiro e início de março, constatando graves problemas de saneamento básico e gastos de dinheiro público com obras inadequadas à vida nas aldeias da Terra Indígena do Alto Rio Purus.

Sem ouvir os indígenas, a então Fundação Nacional de Saúde (Funasa), hoje Sesai, construiu banheiros coletivos, fossas e poços secos que não abastecem as caixas d’água instaladas sobre estruturas de concreto e ferro, desgastadas pela umidade amazônica. Assim, os indígenas buscam vertentes de água para as chamadas cacimbas, expostas ao tempo, animais, lixo e cheias do rio.Estruturas construídas pela Funasa apodrecem sob a forte umidade amazônica sem nunca terem funcionado. Foto: Renato Santana     

Junto à equipe que percorreu durante 20 dias as aldeias às margens do rio, a reportagem constatou 24 mortes de crianças Madja (Kulina) e Huni Kuĩ (Kaxinawa) por diarreia e vômito, além de outras que apresentavam os mais variados estágios de desnutrição – uma em estado grave. Desde março, o jornal Porantim publica uma série de reportagens sobre os indígenas do rio Purus.  
Deste rio, percorrido por Euclides da Cunha em 1905 e descrito como “Um Paraíso Perdido”, se desmembra o rio Iaco. Às suas margens está Sena Madureira. Nas ruas da cidade, indígenas Jaminawa vivem em situação de extrema vulnerabilidade, beirando a mendicância. Na mesma reportagem, está descrita cena de crianças enxotadas depois de tentarem pegar bananas verdes caídas dos cachos carregados por atravessadores.

Expulsos dos territórios de ocupação tradicional pela chegada das fazendas de gado, caso da Terra Indígena Sãopaulina, os indígenas acabam em Sena Madureira buscando comida, casa e trabalho. Encontram a discriminação e todas as dificuldades da vida longe da aldeia.

Falta de diálogo  

“Por enquanto a Funai está fechada ao diálogo. Solicitaram uma intimação para que os indígenas deixem o prédio. A previsão para os próximos é de que a mobilização atinja 400 pessoas”, afirma Lindomar Padilha, coordenador regional do Cimi Amazônia Ocidental.

No início deste mês, Francisco Pianko, assessor da presidente da Funai, se reuniu com as lideranças indígenas em Rio Branco. Conforme os relatos dos indígenas dão conta de que foram atacados por Pianko e ameaçados com retaliações caso ocupassem novamente o órgão.

Para os indígenas, a reunião deveria acontecer para tratar dos encaminhamentos às reivindicações entregues pela comissão de lideranças que estiveram com Marta Azevedo, em Brasília, depois de ocupação da sede da Funai na Capital Federal, tendo como motivo a solicitação de audiência com a presidente, que por sua vez se negava a recebê-los.
Em nota pública, a Funai afirma estar aberta ao diálogo e propõe a construção de uma agenda conjunta com as lideranças indígenas. “Apesar de todos os esforços da Funai, recebendo-os para várias reuniões, inclusive em Brasília com coordenadores-gerais, assessores e até pela presidente Marta Maria Azevedo, com proposta de ida ao Acre para resolver as questões com um número mais ampliado de representações e lideranças, o grupo ocupou novamente a sede da Coordenação Regional, impedindo os funcionários de trabalhar (sic)”, diz trecho final da nota.
No documento, o órgão afirma que os indígenas não apresentaram contraproposta para um suposto plano de ação traçado pela Funai, a começar pela construção de “oficinas de regularização fundiária” a partir do próximo mês. Os indígenas destacaram para a presidente que tal processo deve ser o de demarcação de terras e deveria começar de forma efetiva este ano pelas áreas de mais conflito.

“A nota da Funai é uma informação mentirosa, inclusive a regional do Acre decretou para seus funcionários que não conversassem com os indígenas”, menciona Padilha. Para Ninawá, a presidente não cumpriu com o que prometeu ao dizer que daria uma resposta com encaminhamentos aos indígenas no último dia 10. “Não queremos mais encontros para planejar, mas encaminhamentos e prazos. Nós e Funai sabemos o que precisa ser feito”, ataca.

De acordo com o indígena, existe uma movimentação de descaracterizar a ocupação, sobretudo “pelo pessoal do PT”, diz Ninawá, ao dizer que os povos estão ali bancados pelo PSDB. “Falam isso porque é uma gente que não tem coragem de encarar um debate conosco. Uma hora é o Cimi, depois o Comim, outra hora é o PCdoB, agora é o PSDB. Arrumam culpados e isso mostra como eles tratam o índio nesse estado, pois acham que não temos capacidade de lutarmos por nossas vidas e direitos”, encerra.

Em resposta a nota pública da Funai, o movimento indígena se posicionou em esclarecimento. Leia na íntegra:  

Nota de esclarecimento

Nós, lideranças dos povos Huni Kui, Jaminawa, Manchineri, Apolima Arara, Nawa e Ashaninka do estado do Acre, que vem ocupando a sede da Funai em Rio Branco, solicitamos a solidariedade da sociedade acreana para nossa causa.

Uma delegação nossa foi em Brasília, onde denunciamos as violações dos nossos direitos, no que se refere às invasões das nossas terras, e os descasos de saúde e educação em nossas aldeias. Solicitamos providências da Funai, mas até agora não houve nenhum encaminhamento para resolver nossos problemas.

Não vamos voltar para nossas comunidades sem garantias. Ocupamos a sede da Funai, porque queremos que ela cumpre com seu principal objetivo: “Exercer, em nome da União,  a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas”. Entretanto, atualmente a Funai está fazendo o contrário, nos ameaçando e privando dos nossos direitos. Os funcionários da instituição abandonaram o prédio, alegando que os impedimos de trabalhar. Agora querem nos retirar com força policial. Recebemos das mãos de um Oficial de Justiça um mandado de citação e intimação para desocupação do prédio. Se não podemos ficar na Funai onde ficaremos então?

Em resposta às acusações contra nós, esclarecemos:

- Nós não somos invasores. Ao contrário, as nossas terras vêm sendo invadidas;
- Não estamos, em momento nenhum, pedindo cargos públicos para nós;
- Não ameaçamos a vida de ninguém, as nossas é que são ameaçadas, como é o caso do cacique Francisco Jaminawa, que, juntamente com sua família, está ameaçado de morte, por fazendeiros;
- A ação de reintegração de posse foi solicitada pela Funai sem antes buscar o diálogo com nós.

Reafirmamos nossas principais exigências:

- A imediata retomada dos processos de demarcação de nossas terras tradicionais por parte do Governo Federal;
- Denunciamos a situação de extremo abandono no atendimento à saúde por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e exigimos medidas emergenciais e estruturantes para melhorar o atendimento à saúde em nossas aldeias;
- Um atendimento à educação de qualidade em nossas aldeias.  

Rio Branco, 24 de maio 2012


Vejam a estuoidez que a coluna Bom Dia do Jornal A Tribuna publicou hoje:

"Com os índios
O deputado Moisés Diniz disse ontem que na audiência pública sobre igualdade racial, quinta-feira, percebeu que havia “politização” exagerada na defesa, feita por alguns brancos, a favor dos indígenas acampados na sede da Funai. O deputado fez um discurso duro, ácido, a favor dos povos indígenas. E ontem entrou na luta deles nos mesmos moldes que entrou a favor dos sem-teto do ramal do Panorama."

Posicionamento ético e político: a natureza não tem preço!


O Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, reunido em plenária nacional nos dias 24 e 25 de maio de 2012 em Brasília, vem manifestar-se publicamente sobre as discussões que se realizam no contexto da preparação à Rio+20 e à Cúpula dos Povos, eventos que se realizarão na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 15 e 23 de junho próximo.

A partir do debate que realizamos sobre a economia verde, afirmamos nosso posicionamento contrário ao discurso que a apresenta como a solução para os problemas que o planeta enfrenta a partir das mudanças climáticas.

Entendemos e reafirmamos que a grande responsabilidade pelo aquecimento global, e consequentemente pelas mudanças climáticas, recai no modelo de desenvolvimento de nossa sociedade atual, modelo este que possui como um de seus fundamentos a economia capitalista.

Neste sentido, entendemos que a economia verde, na perspectiva que vem sendo discutida e apresentada pelos grandes grupos econômicos e governos, nada traz de novo e de concreto para solucionar os problemas, e apenas se constitui numa espécie de “nova roupagem” para o mesmo sistema; ou seja, o próprio causador da doença tenta apresentar agora o que seria o remédio, numa clara tentativa de manipular a crise ambiental.

Sabemos que a economia verde não passa, na realidade, de uma estratégia do capitalismo para continuar sua acumulação e expansão a partir da tentativa de tratar a natureza como uma espécie de “capital natural”, colocando preço em todos os serviços que plantas, animais e o ecossistema como um todo oferecem à humanidade de forma gratuita.

Posicionamos-nos contra a economia verde e todos os demais instrumentos apresentados pelo mercado e assumidos pelos governos no bojo da discussão do combate às mudanças climáticas: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), Pagamento por Serviços Ambientais, Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e Mercado de Carbono. Todos estes instrumentos nada mais são do que uma tentativa de pintar de verde a economia capitalista, que, na verdade histórica, sempre foi cinzenta, por causa dos altos níveis de poluição que joga em todos os espaços do ambiente vital da Terra. Não passa, por isso, de uma falsa solução, uma ilusão de resolução do problema.

Manifestamos publicamente nosso posicionamento para que a presidente Dilma Rousseff, numa demonstração de coerência, escuta e respeito à vontade e soberania popular, vete integralmente o texto do Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional. Ele atende tão somente ao interesse de expandir ainda mais o campo de atuação e, consequentemente, todas as mazelas sociais e ambientais causadas pelo agronegócio. 

Por tudo isso, dizemos não à “precificação” e financeirização da natureza e reafirmamos nossa crença e esperança em formas de convivência que garantam a satisfação das necessidades dos povos sem colocar em risco a própria sobrevivência humana no planeta. Assumimos a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental contra a Mercantilização da Vida e da Natureza em defesa dos Bens Comuns como uma importante oportunidade para construirmos, a partir dos povos e com os povos, as verdadeiras e reais soluções para os graves problemas que põem em risco a Criação.

Brasília, 25 de maio de 2012.

Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Em nota indígenas do Acre esclarecem seus objetivos e denunciam a omissão da Funai


Nota de esclarecimento
Rio Branco, 24 de maio 2012


            Nos, lideranças dos povos Huni Kui, Jaminawa, Manchineri, Apolima Arara, Nawa e Ashaninka do estado do Acre que vem  ocupando a sede da FUNAI em Rio Branco, solicitamos a solidariedade da sociedade acriana para nossa causa. 

            Uma delegação nossa foi em Brasília, onde denunciamos as violações dos nossos direitos, no que se refere à invasões das nossas terras, e os descasos de saúde e educação em nossas aldeias. Solicitamos providências da Funai, mas até agora não houve nenhum encaminhamento para resolver nossos problemas.
            Não vamos voltar para nossas comunidades sem garantias. Ocupamos a sede da FUNAI, porque queremos que ela cumpre com seu principal objetivo: “Exercer, em nome da União  a proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas”. Entretanto, atualmente a Funai está fazendo o contrário, nos ameaçando e privando dos nossos direitos. Os funcionários da instituição abandonaram o prédio, alegando que os impedimos de trabalhar. Agora querem nos retirar com força policial. Recebemos das mãos de um oficial de justiça um mandado de citação e intimação para desocupação do prédio. Se não podemos ficar na Funai onde ficaremos então?

Em resposta às acusações contra nos, esclarecemos:

  • Nos não somos invasores. Ao contrário, as nossas terras vem sendo invadidas.
  • Não estamos, em momento nenhum, pedindo cargos públicos para nos.
  • Não ameaçamos a vida de ninguém, as nossas é que são ameaçadas, como é o caso do cacique Francisco Jaminawa, que, juntamente com sua família está ameaçado de morte, por Fazendeiros
  • A ação de reintegração de posse foi solicitada pela FUNAI sem antes buscar o diálogo com nós.

Reafirmamos nossas principais exigências:

  • A imediata retomada dos processos de demarcação de nossas terras tradicionais por parte do Governo Federal
  • Denunciamos a situação de extremo abandono no atendimento à saúde por parte da secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e exigimos medidas emergências e estruturantes para melhorar o atendimento à saúde em nossas aldeias.
  • Um atendimento à educação de qualidade em nossas aldeias

quarta-feira, 23 de maio de 2012

PORQUE A FUNAI DO ACRE É INOPERANTE


Semana passada, dia 18, sexta-feira, por volta das 17:00 hs. os indígenas que estão acampados na sede da Funai reivindicando seus direitos, especialmente a demarcaçaão das terras, a garantia de vida aos ameaçados de morte, a atenção à saúde e à educação, receberam das mãos de um oficial de justiça um mandado de citação e intimação para desocupação do prédio da Funai. Não foram surpreendidos na verdade porque vindo da coordenação regional do órgão, tudo se espera de contrário aos interesses dos povos indígenas, inclusive o uso da força.

O que mais chamou a atenção na justificativa do pedido de reitegração de posse, oriundo de um ofício encaminhado à procuradoria pela coordenação regional, foi a cínica afirmação de que:

"a ocupação do prédio da Funai causa obstáculo à implementação das políticas de proteção e concretização de direitos fundamentais garantidos aos próprios indígenas responsáveis pela invasão ilícita."

Ora, se os indígenas ocuparam o prédio justamente porque a Funai não cumpre com suas obrigações, é inoperante. O ofício vai ainda mais longe e diz, nas palavras repetidas pela coordeção regional, assumidas pelo Sr. Juan Scalia, apontando dez atividades que supostamente deixaram de ocorrer por causa da ocupação da Funai. Todos os dez pontos apresentados, ao contrário do que querem fazer crer, nada tem a ver com a manifestação dos indígenas. Vou transcrever um desses pontos, o de número cinco (05) que diz textualmente:

"5. Hoje também foi cancelada nossa participação no âmbito da reunião conjunta do Conselho Estadual de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (CEMACT), Conselho Estadual Florestal (CEF) e Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) que tratariam sobre a participação do Governo do Acre na Conferência da ONU Rio + 20 no próximo mês de junho."

Supôr a estupidez indígena a este ponto chega a ser crime de preconceito. É acreditar que os indígenas são tão estúpidos ao ponto de não notarem que este tipo de atividade, longe de favorecer os povos indígenas, visa favorecer unica e exclusivamente o Governo do Acre, ao qual a coordenação regional da Funai parece estar visivelmente submetida. Porque esses senhores, tão preocupados com o meio ambiente, não foram a tal reunião? será que ela aconteceria e só poderia acontecer nas dependências da Funai? Nessas reuniões a Funai costuma comperecer levando todos os funcionários? não há setorização na Funai? será que todas as reuniões nas quais a Funai participa só podem acontecer nas dependências da sede regional? e, será que a tal reunião aconteceria mesmo e será que, se acontecendo, seria mesmo na sede da Funai?

Nete ponto de justificativa, fica claro que o que está por trás da intransigência e inoperância da Funai, a necessidade de silenciar os povos indígenas para que não venham, com suas reivindicações, manchar a imagem do Governo do Acre durante a Rio + 20. O grave nisso tudo é que a Funai é o órgão (I) responsável pela defesa dos povos indígenas e, neste caso, está atuando no sentido contrário aos seus objetivos. No momento em que uma coordenação regional de um órgão indigenista deixa de cumprir com seu papel, está na hora dessa coordenação ser desfeita. É por isso que os povos indígenas estão pedindo a exoneração da Srª Maria Evanizia.

Por fim, o que se espera é que um rompante de sensatez ilumine a mente dos senhores juizes para que não permitam que mais essa barbaridade aconteça contra os já sofridos povos indígenas do Acre. Lá no acampamento estão senhores idosos, senhoras, crianças, pessoas que só querem uma coisa: que seus direitos sejam respeitados e que o poder público cumpra com suas obrigações.

Em nenhum momento os indígenas acampados ameaçaram ninguém. Ao contrário tentaram estabelecer diálogo com a coordenação Regional, que se negou veemente. O índios afirmam que querem que os funcionários, proibidos de trabalhar por órdem da coordenação regional, voltem ao trabalho. Até os vigias foram impedidos de trabalhar por órdem da coordenação. Mais uma ironia: ao mesmo tempo que a Funai reivindica a posse justificando a defesa do patrimônio, a mesma Funai retira os vigias, cuja função é justamente garantir o patrimônio.

O índios não querem impedir a Funai de trabalha, ao contrário, estão exigindo que trabalhe e cumpra com suas obrigações.

Deixo aqui o meu apelo ao poder judiciário, pessoas sensíveis e que buscam a equidade na justiça, para que intercedam e evitem mais um ato desnecessário e altamente agressivo a estes povos que ao longo da história perderam quase tudo. O que desejam é muito pouco e é justo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Indígenas mantêm ocupação à sede da Funai no Acre sob ameaça de reintegração de posse


Por Renato Santana,
de Brasília

A sina dos povos indígenas do Acre parece, nos últimos tempos, a de viver em permanente situação de mobilização. Pela terceira vez este ano ocuparam a sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Rio Branco, e correm o risco de serem retirados de forma violenta por solicitação da própria Funai.

Um pedido de reintegração de posse foi encaminhado pelo órgão para a Justiça Federal e a qualquer momento a Polícia Federal poderá cumprir a decisão do juiz. Os indígenas ocupam o prédio da Funai desde terça-feira, 15, e afirmam que só saem à força.

Conforme Ninawá Huni Kuĩ, eles exigem que a presidenta do órgão, Marta Azevedo, cumpra com o prometido e encaminhe as reivindicações feitas pelos indígenas em Brasília, no início deste mês. Na ocasião, os indígenas ocuparam o prédio da Funai, na Capital Federal, para conseguir uma audiência com a presidenta do órgão.


Por Renato Santana,
de Brasília

A sina dos povos indígenas do Acre parece, nos últimos tempos, a de viver em permanente situação de mobilização. Pela terceira vez este ano ocuparam a sede regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Rio Branco, e correm o risco de serem retirados de forma violenta por solicitação da própria Funai.

Um pedido de reintegração de posse foi encaminhado pelo órgão para a Justiça Federal e a qualquer momento a Polícia Federal poderá cumprir a decisão do juiz. Os indígenas ocupam o prédio da Funai desde terça-feira, 15, e afirmam que só saem à força.  
Conforme Ninawá Huni Kuĩ, eles exigem que a presidenta do órgão, Marta Azevedo, cumpra com o prometido e encaminhe as reivindicações feitas pelos indígenas em Brasília, no início deste mês. Na ocasião, os indígenas ocuparam o prédio da Funai, na Capital Federal, para conseguir uma audiência com a presidenta do órgão.

“Ela pediu um voto de confiança para nós e disse que até o dia 10 de maio daria uma resposta. Não cumpriu com a palavra e por isso fizemos a reocupação. Daqui não saímos enquanto Marta Azevedo não nos atender. Tem a reintegração e o que acontecer será de responsabilidade dela”, diz Ninawá Huni Kuĩ.

Os povos presentes na sede regional da Funai são os Jaminawa, Ashaninka, Huni Kuĩ, Madja, Nawá, Manchineri e Apolima Arara. De acordo com Ninawá, o movimento pede a saída da coordenação regional da Funai. “Entregamos para Marta um dossiê completo, com reportagens de jornais que denunciam esquemas de corrupção e uso indevido do patrimônio público. Não reconhecemos essa coordenação”, diz Ninawá.

Reunião tensa  

Na última semana, a Funai de Brasília pediu para a coordenação regional se reunir com os indígenas. O encontro foi tenso e conforme as lideranças indígenas denunciaram, representantes de Marta, entre eles Francisco Pianko, assessor da presidenta, os atacaram dizendo que não eram lideranças e que se voltassem a ocupar a sede do órgão seriam retirados pela polícia.

“Ao invés de ajudar os índios eles mandam a polícia. Por que a Funai não manda a Polícia Federal para as terras onde existem invasões de fazendeiros? Não sairemos da sede da Funai caso a coordenação não seja desconstituída e as demais reivindicações atendidas”, destaca Ninawá.

Para os indígenas, se for para viver “sob violência e à míngua” nas aldeias eles preferem “morrer na luta”. A situação mobilizou o procurador da República em Rio Branco, Ricardo Braga. “Não houve intimação da decisão sobre a reintegração, mas sabemos que a Funai fez um pedido nesse sentido. Quando tomarmos ciência da decisão decidiremos que providências tomar”, pondera o procurador.

De acordo com Braga, porém, o que se espera é uma solução pacífica, mas para ele os problemas que afetam os indígenas são de fundo, ou seja, envolvem saúde, terras e educação. Caso tais questões não sejam encaminhadas a situação de conflito – ocupação do prédio da Funai - será permanente.
“Ela pediu um voto de confiança para nós e disse que até o dia 10 de maio daria uma resposta. Não cumpriu com a palavra e por isso fizemos a reocupação. Daqui não saímos enquanto Marta Azevedo não nos atender. Tem a reintegração e o que acontecer será de responsabilidade dela”, diz Ninawá Huni Kuĩ.

Os povos presentes na sede regional da Funai são os Jaminawa, Ashaninka, Huni Kuĩ, Madja, Nawá, Manchineri e Apolima Arara. De acordo com Ninawá, o movimento pede a saída da coordenação regional da Funai. “Entregamos para Marta um dossiê completo, com reportagens de jornais que denunciam esquemas de corrupção e uso indevido do patrimônio público. Não reconhecemos essa coordenação”, diz Ninawá.

Reunião tensa

Na última semana, a Funai de Brasília pediu para a coordenação regional se reunir com os indígenas. O encontro foi tenso e conforme as lideranças indígenas denunciaram, representantes de Marta, entre eles Francisco Pianko, assessor da presidenta, os atacaram dizendo que não eram lideranças e que se voltassem a ocupar a sede do órgão seriam retirados pela polícia.

“Ao invés de ajudar os índios eles mandam a polícia. Por que a Funai não manda a Polícia Federal para as terras onde existem invasões de fazendeiros? Não sairemos da sede da Funai caso a coordenação não seja desconstituída e as demais reivindicações atendidas”, destaca Ninawá.

Para os indígenas, se for para viver “sob violência e à míngua” nas aldeias eles preferem “morrer na luta”. A situação mobilizou o procurador da República em Rio Branco, Ricardo Braga. “Não houve intimação da decisão sobre a reintegração, mas sabemos que a Funai fez um pedido nesse sentido. Quando tomarmos ciência da decisão decidiremos que providências tomar”, pondera o procurador.

De acordo com Braga, porém, o que se espera é uma solução pacífica, mas para ele os problemas que afetam os indígenas são de fundo, ou seja, envolvem saúde, terras e educação. Caso tais questões não sejam encaminhadas a situação de conflito – ocupação do prédio da Funai - será permanente.


 Meu comentário:
Manifestação em frente ao palácio enquanto o governador viajava para Itália












Esta foto mostra claramente o descaso do poder público em relação aos povos indíenas do Estado do Acre. Quando tirei esta foto, o governador do Estado se encontrava em viajem para Milão, na Itália, onde participou, juntamente com uma comitiva de mais de cinquenta pessoas, de uma série de eventos voltados basicamente para a economia florestal. Na comitiva, foi um grupo de indígenas, para se apresentarem e passarem a impressão de que no Acre tudo está bem.
Naquele mesmo momento, os indígenas estavam nas ruas e em frente ao palácio do governo pedindo ajuda para poderem chegar até Brasília onde pretenderiam discutir extensa pauta voltada aos direitos dos povos indígenas, entre eles a demarcação das terras que ainda faltam e que estão com os processos paralizados desde 2000.
Dois dias antes desta manifestação o lider do governo na Aleac - Assembléia Legislativa do Acre, havia se comprometido a contribuir com parte dos gastos com transporte que seria utilizado durante o retorno da delegação, já que a ida estava garantida. A saída da delegação se deu no dia 28 de abril e o retorno no dia 11 de maio. Ocorre que no dia 09 de maio, a assessoria do Deputado foi procurada e a informação era a de que o deputado não mais iria contribuir sob a alegação de que os indígenas estavam "falando mal do Acre". Naturalmente que o Deputado não teria nehuma obrigação de colaborar, menos ainda o Governo mas, porque prometeu? apenas para fazer juz ao jargão de político só promete? ou haveria algo mais?
Certo foi que nehum político contribuiu com a a viagem. Nem os da suposta esquerda, manchados pelas cores da direita e nem os da direita, travestidos em larga medida de esquerda. Todos estavam ocupados demais com a manutenção do poder e não tiveram (nem tem) tempo para ouvir o clamor do povo expropriado.
O fato que viria a chamar a atenção foi a participação do governador, secretários e o próprio lider do Governo na Aleac em uma "festa indígena" na aldeia Lago Lindo do povo Hunikui, às margens do Rio Tarauacá. A festa que se iniciou no dia 15 se estende até o dia 21. Naturalmente o evento, em grande medida, foi financiado pelo governo e contou com ampla cobertura da mídia acreana. 
De outro lado, os indígenas vindos de Brasília, não encontraram o mesmo acolhimento. Ao contrário foram recebidos quase que como bandidos. Por isso reocuparam a sede da Funai com a promessa de continuarem denunciando os demandos e as ingerências sobre o órgão indigenista, ao mesmo tempo exigem a exoneração da coordenadora regional.
Narrei estes fatos porque deles podemos tirar algumas conclusões:

1) No Acre se pretende categorias de indígenas (pelo menos duas): indígenas de primeira classe, utilizados nas propagandas oficiais e tratados como bons e amigos e, indígenas de segunda classe, os que não servem às propagandas e são tratados, por isso mesmo, como maus e inimigos.

2) Os povos mais necessitados são justamente os mais rejeitados e esquecidos, quando não perseguidos.

3) Não há efetivamente nenhum político no Estado do Acre que assume verdadeiramente a causa indígena e as ONGs e movimentos sociais estão muito mais a serviço destes primeiros.

4) Nenhuma mudança ocorrerá a partir dos gabinetes mas, somente com o povo nas ruas.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

AS COISAS NAO SAO IGUAIS

Com esse título, recebi um verdadeiro desabafo de um cacique que ainda está acampado na sede da Funai em Rio Branco juntamente com outros, incluindo mulheres e crianças, na busca por ver sus direitos respeitados.

Vejam o Texto:


AS COISAS NAO SAO IGUAIS:


OS POVOS INDIGENAS NO ESTADO DO ACRE, SUL DO AMAZONAS E NOROESTE DE RONDONIA VIVEM ATUALMENTE UM DESCONFORTO,

MUITO DELICADO...

- ENQUATO CACIQUES JUNTAMENTES COM SUAS MULHRES E CRIANÇAS ESTAO DORMINDO NO RELENTO, AS VEZES COME OUTRAS VEZES NAO, OCUMAPANDO A SEDE DA COORDENAÇAO REGIONAL DA FUNAI DE RIO BRANCO EM BUSCA DE SEUS DIREITOS COMO A DEMARCAÇAO DE SUAS TERRAS, QUE ESTAR SENDO INVADIDO POR FAZENDEIROS, MADEREIROS E ATE MESMO ORGAO PUBLICOS COMO CMBIO, INCRA, BEM COMO RESEX, PROJETOS DE ASSENTAMENTOS E OUTROS...

NO BEM BOM!!!!

- ENQUANTO ISSO OUTRAS COMUNIDADES ESTOA EM PLENO GOSO EM COMEMORAÇOES, FESTEJANDO EM GRANDES FESTIVAIS, COMEMORANDO ANIVERSARIOS DE DEMARCAÇAO DE SUAS TERRAS, PARABENS PARA ESSES POIS MERECEM, COMO UM DIA TAMBEM QUEREMOS COMEMORAR, MAS INFELISMENTE:

A LEI.

- NOS QUE ESTAMOS AQUI ACAMPADOS, TEMOS COMO RESPOSTA DOS ORGAO RESPONSAVEIS ATRAVES DOS SEUS GESTORES REPRESALHA COMO E O CASO DA MARIA EVANIA POYANAWA COORDENADORA DA FUNAI E DO FRANCISCO PINHANTA ASSESSOR DO GABINETE DA PRESIDENTA DA FUNAI-DF, QUE SOLICITAM A POLICIA FEDERAL PARA FAZER O DESPEJO DESSAS FAMILIAS QUE ESTAO SOFRENDO A REPRESALHA DOS INVASORES JA, AGORA TAMBEM DESSAS PESSOAS, QUE IVES DE MANDAR A POLICIA FEDERAL PARA PRENDER OS IVASORES DAS TERRAS INDIGENAS QUE ESTAO AMEAÇANDO LIDER DE MORTE COMO E O CASO DO CACIQUE JAMINAWA FRANCISCO SALDANHA JAMINAWA, DA TERRA INDIGENA SAO PAULINO. 

- MAS NAO ESTAMOS NENHUM POUCO AFLITO, ESTAMOS AGUARDANDO A QUAL QUER MOMENTO O CUMPRIMENTO DO DESPEJO, SEJA O QUE DEUS QUISER, SE E DE NOS MORRER A MINGUA OU ASSASSINADO NAS ALDEIAS, PREFERIMOS MORRER LUNTANDO.


ISSO E UMA VERGONHA PARA O GOVERNO BRASILEIROS

FORA A PEC 215