sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SANTO NATAL E QUE VENHA 2013 !!!!

Durante estes dias de festividades e recesso, as atualizações deste blog serão mais limitadas porém frequentes o suficiente para manter o leitor e a leitora informados. 

Continuarei acompanhando a situação de descaso com a saúde indígena, Pagamentos Por Serviços Ambientais, REDD, grandes projetos entre outros.

Gostaria, neste momento, de agradece a cada uma e cada um que ao longo deste ano de 2012, ano difícil para os empobrecidos, fez sua parte e ajudou a cobrar do poder público o respeito e a implementação de políticas voltadas para a defesa dos direitos da pessoa. Agradeço ainda a cada uma e cada um que acessou este blog e, de alguma forma colaborou comigo. Seja através dos comentário, sugestão de posts ou mesmo simplesmente acessando e repercutindo.

Quero, pois, desejar a todas e todos um santo Natal e um 2013 com a irrequieta paz que busca a justiça !


Lindomar Padilha

A QUE PONTO CHEGOU A TRANSGENIA


Pós RIO+20 - Reflexões conceituais sobre a "comoditização" dos bens comuns

Pós RIO+20 - Reflexões conceituais sobre a
Por Amyra El Khalili*

A palavra inglesa "commodities" vem sendo usada há anos nos jornais e cadernos especializados em notícias econômicas, mas pouco se sabe efetivamente o que são "commodities". Sempre grafada no plural - commodities - e raramente no singular - commodity -, após a Rio+20, a palavra-expressão tornou-se vedete dos debates socioambientais que a utilizam tanto no plural quanto no singular para se referir à "comoditização" dos bens comuns.

"Commodity" significa mercadoria padronizada para compra e venda e pode ser negociada em diversos mercados com múltiplos instrumentos econômicos. Veja que não se trata simplesmente de mercadoria com a palavra expressa em português, pois mercadoria pode ser qualquer coisa que tenha comprador e vendedor, ou seja: que tenha mercado. Se a mercadoria é lícita ou ilícita , ética ou não, trataremos mais adiante ao separarmos o trigo do joio.

A diferença entre mercadoria e commodity se caracteriza pela padronização - ação de padronizar, torná-las iguais. Assim sendo, é necessário desenvolver critérios de produção, classificação, certificação, normas e regras de comercialização legalmente constituídas. Não é tão simples "comoditizar" - transformar uma mercadoria em commodity. É um sistema caro, complexo e que depende de acertos em acordos internacionais, além de regulações nacionais no âmbito do direito econômico, tributário e fiscal.

Muitos confundem "commodities" com instrumentos contratuais, como títulos e certificados negociados nos mercados bursáteis (bolsas de valores) e de balcão (entre partes fora dos mercados organizados) sem compreender exatamente o que se pode e o que não se pode fazer nestes mercados financeirizados que são, na maioria das vezes, mais virtuais do que reais. Outros afirmam que o preço na comoditização é padronizado internacionalmente. O que também não é verdade, pois há várias Bolsas e mercados correlatos com preços diferenciados sendo negociados com as mesmas commodities em outros continentes. Por outro lado, quando o preço futuro está controlado por uma única Bolsa internacional, como é o caso da soja e do cacau, a formação de preço para exportação, sem considerar os fatores socioeconômicos regionais, muitas vezes promove distorções e deslealdades nestas negociações.

Quando nos referimos aos mercados de capitais, usamos a palavra-expressão sempre no plural - "commodities" -, uma vez que os contratos estabelecem negócios em grandes quantidades com escala de produção. Nos mercados de capitais não se negocia "uma commodity", mas toneladas, arrobas ou barris delas, como, por exemplo, as agropecuárias (milho, soja, trigo, arroz, cacau, café, açúcar, boi, frango, suíno), as minerais (petróleo, aço, ferro, ouro, prata, cobre entre outros). Este fato impede a participação de pequenos e médios produtores agropecuários e mineradores, a não ser quando se juntam para negociar através de cooperativas agropecuárias ou associações. Mesmo assim, ainda enfrentam dificuldades tremendas e exigências de padronização quase que impraticáveis, considerando-se o avanço tecnológico que envolve estas produções.

O que, a princípio, está padronizado é o objeto do contrato, a commodity, e não o preço, já que é flutuante e formado por inúmeros fatores, como clima, custo de produção, frete, taxas, impostos, corretagens e serviços entre oferta e demanda e, oscilam rapidamente de acordo com a conjuntura econômica tanto quanto as cotações nas Bolsas. Daí a complexidade de se formar um mercado global que seja transnacional e consensual em acordos supranacionais nos fóruns internacionais (OMC, Mercosul, Alca), pois cada país tem a sua realidade socioeconômica, ambiental , financeira e política.

Compreenda também a disputa concorrencial de mercados. Os países desenvolvidos olham para a América Latino-caribenha como fornecedora de insumos e matéria prima e tratam suas relações comerciais como se os recursos naturais e os recursos humanos estivessem eternamente à disposição dos capitalizados desde os tempos da colonização europeia, para que possam continuar desenfreadamente produzir bens e serviços e depois revenderem a nós, latino-americanos e caribenhos, seus produtos com tecnologia de ponta, cobrando caro na condição de potencial consumidores que somos, as mesmas commodities reprocessadas por eles, que foram produzidas por nós.

E por que aceitamos tudo isso? Por que não questionamos os critérios de "comoditização" e ainda praticamos extrativismo predador enquanto indústria e agronegócio com o paradigma daqueles tempos em que as Américas e Ilhas Caribenhas foram descobertas por estes colonizadores? Até hoje, vigora a prática dos "royalties", pagamento que se fazia à realeza pela extração das riquezas naturais, como ouro e petróleo.
Jogar a palavra "commodities" para debaixo do tapete e tentar substituí-la por outros códigos, como, por exemplo, "produtos ecossistêmicos", para dourar pílula e tornar mais palatável a comercialização dos bens comuns é repetir o mesmo modelo condenado pelos socialistas em seus combates ferozes contra o capitalismo. A palavra "commodities" vai aparecer mais adiante com uma nova roupagem, a da legalização do ilícito, como a biopirataria, a comercialização de lixo e a poluição, com o "modus operandi" de monopólio e formação de cartel convenientemente chancelados por governos e corporações em convenções internacionais. Aparecerá também em sua forma mais perniciosa, a de que ecossistemas vitais para a sobrevivência humana e de todos os seres vivos seja mercantilizada com a regulação de preços nos mercados de Bolsas e de balcões.

Preferimos enfrentá-la, discutindo os critérios de "comoditização" e propondo um novo modelo econômico que faça contraponto a essa forma mercantilista e utilitarista da produção de bens e serviços, de seres humanos como mão de obra barata e escrava, seja na forma ilícita e desumana de trabalho escravo propriamente dito, ou a indireta dissimulada, escravizando pequenos e médios agricultores, campesinos e extrativistas, além das comunidades tradicionais, como índios e quilombolas, entre outras minorias, com contratos unilaterais e leoninos. Assim sendo, separaremos o trigo do joio esclarecendo conceitos sobre a comoditização.

Commodities Convencionais

As "commodities convencionais" são aquelas produzidas nesse modelo econômico criticado anteriormente. Obedecem critérios de padronização internacionais, são produzidas em grandes quantidades para atender à demanda de mercados altamente competitivos e abastecer as corporações e transnacionais que produzem também em alta escala, como o setor automotivo (comprador de minério), o agronegócio (comprador de grãos e carnes), a construção civil (compradora de madeira e minério), enfim, cada setor da economia consome muita produção de commodities para abastecer os 7 bilhões de habitantes deste Planeta Terra. No entanto, os recursos naturais necessários à produção de commodities não eram considerados na contabilidade destas produções. A água que irriga a lavoura, a energia que consome a produção de aço, a biodiversidade impactada pela exploração de petróleo, o solo degradado pelo plantio de espécies que propiciam rápido crescimento e corte, como "pinus" e eucaliptos e toda gama de tecnologias para produção de alimentos que aceleram o plantio e colheita contra pragas, secas e inundações com engenharia genética para atender aos prazos e demandas da voracidade dos seres humanos que precisam tanto dos alimentos para comer, quanto da água para viver e do ar para respirar. Acrescentando ainda o padrão de conforto dos produtos industrializados, aparelhos eletrônicos, carros, televisões, celulares, enfim, tudo o que a inteligência humana foi capaz de criar e produzir para supostamente melhorar a vida das pessoas.

Os mercados de commodities convencionais empregam menos pessoas e utilizam cada vez mais tecnologia, como maquinários pesados, tratores, colheitadeiras e sistema sofisticado de produção com a mecanização. A cada avanço da modernização, milhares e milhares de pessoas que prestavam serviços são substituídas por máquinas. É o caso dos cortadores de cana. Apesar de ser uma profissão ingrata e abusiva, os cortadores de cana, mais conhecidos como boias frias, dependiam desta tarefa para seu sustento e, com a mecanização do corte de cana, estão sem alternativa de trabalho. A substituição da mão de obra no corte da cana não foi praticada com uma política pública preocupada com o trabalhador braçal, mas unicamente com o setor sucroalcooleiro. Ainda que o argumento de que o corte de cana manual era atividade insalubre e sem condições de segurança, sua substituição não foi realizada pensando naqueles que fizeram do setor sucroalcooleiro um dos maiores produtores de commodities do mundo.

Esses sofridos trabalhadores estão por ai, vagando pelas cidades e vão engrossar as fileiras dos movimentos sociais sem terra, sem casa, sem teto, sem trabalho, sem perspectiva de vida e sem esperanças. Este é apenas um dos exemplos dos impactos da commoditização e por que essa palavra-expressão passou a ser amaldiçoada como o cão chupando manga por todos que lutam por dignidade, justiça e paz no campo.
O assunto é vasto e não faltam estudos e trabalhos detalhados relatando como funcionam os setores que necessitam da produção de commodities.

Commodities Ambientais

As "commodities ambientais" são mercadorias padronizadas para compra e venda produzidas pelas comunidades que foram excluídas dos mercados de commodities convencionais ou que nunca tiveram participação nele. Para serem ambientais, não podem ser produzidas com os mesmos critérios de produção impactantes e que promovem a exclusão social, a devastação e a degradação ambiental. Essas produções são assim conceituadas, pois devem obedecer também a critérios de padronização, classificação e certificação, o que não significa que esses critérios devam ser os mesmos adotados pelo modelo econômico na produção de commodities convencionais. Nas commodities ambientais, as produções não são em escala, como no padrão industrial. São diversificadas, respeitando-se os ciclos da natureza e a capacidade de cada região com seus biomas e ecossistemas. A palavra "commodities", neste contexto grafada como "expressão", não está associada à tecnologia de ponta, à engenharia genética ou às máquinas e equipamentos que são necessários para a produção das commodities convencionais. Somente serão commodities ambientais se estas produções gerarem emprego e renda para seus produtores. Sempre em pequenas quantidades, com critérios de manejos e integração entre o ser humano e o meio ambiente e com pesquisa técnico-científica e educacional. Estará "comoditizada" por obedecer a critérios participativos e que promovem o fortalecimento das produções dos pequenos e médios produtores, extrativistas, comunidades tradicionais - índios e quilombolas, campesinos e grupos em exclusão e de riscos (mulheres, deficientes físicos, presidiários, desempregados, entre outros).

Ao contrário das commodities convencionais , expressão usada no plural por conta da grande quantidade de produtos, nas ambientais, o plural será na organização social que as produz e decide sobre esses critérios, ou seja, deve ser associativista e cooperativista. A produção é grupal e não individual (no singular); ocorre o inverso, nas commodities convencionais, que concentram o lucro e a produção para poucas pessoas e corporações.

As commodities ambientais buscam inserir esses cortadores de cana que perderam seu sustento com a mecanização do corte, propondo alternativas de produção e trabalho. São, portanto, a transição do modelo econômico com políticas públicas participativas e integradas. Não substituem as commodities convencionais, nem pretendem concorrer com elas, mas criar um sistema alternativo que abra a base da economia e promova a conservação e a preservação ambiental com inclusão social, atendendo as suas demandas.

As commodities ambientais são originadas das matrizes: água, energia, biodiversidade, floresta (madeira), minério, biodiversidade, reciclagem e redução de poluentes (água , solo e ar). As matrizes não são mercadorias, são ecossistemas e ou processos (conhecimento e ciência). Não são "commodities", são bens comuns. São a galinha dos ovos de ouro. Porém, a Economia Verde pretensiosamente propõe comoditizar aquilo que não pode e não deve ser "mercadoria" através do sistema financeiro com instrumentos econômicos e contratos padronizados pelos mercados de capitais. Está bem longe do que propomos nas commodities ambientais.

No entanto, não podemos dizer que a água não está comoditizada. De que água estamos falando? Da água que está na bacia hidrográfica - rios, subsolo, represas, mananciais - ou da água que está engarrafada no supermercado?

A água que está no rio, no subsolo, nas represas, nas montanhas, nas cachoeiras é parte de ecossistemas e não deve jamais ser comoditizada por um motivo muito simples: é direito humano, direito de todos os seres vivos e, portanto, essencial para nossa sobrevivência, garantida pela constituição no Estado Democrático de Direito. Água é bem comum, de uso público, e o estado é tutelador deste bem; porém, a água que saiu do seu estado natural e foi reprocessada para ser engarrafada, seja como água mineral, bebidas, insumos para indústrias, para a agricultura e a pecuária está commoditizada em forma de produtos industrializados e alimentos. Alegar que a água não é "commodity" em parte é verdade, pois é ecossistema, mas ignorar que está incorporada a produção de bens e serviços na forma de produtos industriais e alimentos é tratar a discussão com o viés meramente político-ideológico ou total desconhecimento técnico-científico, sem mensurar as consequências da superficialidade desta discussão. Se a palavra-expressão "commodity" está sendo usada para explicar que a água não deve ser regulada, precificada e controlada pelo sistema financeiro via mercados de Bolsa, tem razão de ser, mas falta ainda contextualizar como a comoditização está sendo criticada nesta afirmação. É necessário explicar para as pessoas leigas do que se está falando. A confusão conceitual alimenta a ignorância e o desinteresse.

Os que se negam a ouvir o que estamos propondo, sem nos dar a chance de provar que é possível transformar a maneira de produzir e que podemos interferir nos critérios de produção de bens e serviços, não querem soluções. São, na melhor das hipóteses, reducionistas e demonstram que, se estão defendendo o direito do povo decidir sobre políticas públicas e a economia que queremos, negam com esta atitude o direito dos que não têm alternativas, como os cortadores de cana, índios, quilombolas, campesinos, entre outros, de encontrarem uma esperança neste mundo real, ainda, infelizmente, bem longe do mundo ideal. Também demonstram incompetência para avançar na defesa dos bens comuns, dando munição para inimigos. Estes incautos acabam advogando para promover aceleradamente a comoditização e a financeirização dos bens comuns.

Commodities Sujas

Outros fatores compreensíveis contribuem para essa falta de visão estratégica: a ação dos oportunistas de plantão, de gente inescrupulosa e desonesta que se apropria de trabalhos fundamentados para vender gato por lebre. As commodities ambientais têm sido sistematicamente e propositadamente confundida com créditos de carbono. A expressão está enfrentando um assédio conceitual sub-reptício daqueles que se apropriam de ideias alheias, esvaziam-nas do seu sentido original e se apropriam delas, preenchendo-as com conteúdo espúrio.

Com relação aos créditos de carbono ou quaisquer créditos derivados deste paradigma mecanicista, estamos falando de títulos, de certificados negociados em Bolsas de Valores ou nos mercados de balcão. Se poluição é mercadoria, como vão padronizá-la para compra e venda? Quais são os critérios de classificação e certificação da mercadoria a ser comoditizada, a poluição (CO2)?

O absurdo conceitual e o atropelo do oportunismo ganancioso propiciou uma nova modalidade de comoditização: as "commodities sujas". Transformar mercadoria em "commodities" significa legalizar o ilícito e o antiético neste caso. Como dissemos anteriormente, mercadoria pode ser qualquer coisa que tenha comprador e vendedor formando mercado. Mas "commodities" são padronizadas. E para padronizar é necessário adotar critérios que devem se submeter a regras e normas. No caso das "commodities sujas", estão legalizando o mercado de poluição que nada tem a ver com o conceito de "commodities ambientais". Uma vez que se deseja eliminar, não se pode multiplicar, produzir estoque, comoditizar e mercantilizar.

O paradigma organicista versus paradigma mecanicista 

O ambientalista e doutor em Ecohistória, Arthur Soffiati, conclui:

"Hoje, os cinquenta tons de cinza confundem as posições e a compreensão dos conceitos. Mesmo assim, é possível reconhecer dois paradigmas: o mecanicista e o organicista. O primeiro continua acreditando que o planeta e as pessoas são recursos a serem explorados em caráter ilimitado para ganhar dinheiro. O segundo propõe uma mudança radical, criticando tanto a direita quanto a esquerda por suas posições retrógradas. A geoengenharia, a transgenia, a biologia sintética são novas roupagens para velhas propostas que se reúnem hoje sob o rótulo geral de Economia Verde. Elas se vinculam ao surrado paradigma mecanicista que alimenta o capitalismo e o socialismo (que nunca representou um projeto radical de revolução). Já o projeto de commodities ambientais se alinha com o novo paradigma organicista, que condena veementemente o objetivo de transformar todas as manifestações da natureza em mercadoria."

Amyra El Khalili* é economista, autora do e-book "Commodities Ambientais em Missão de Paz: Novo Modelo Econômico para a América Latina e o Caribe". São Paulo: Nova Consciência, 2009. 271 p. Acesse gratuitamente www.amyra.lachatre.org.br

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A porrada do PETELECO DA VIOLA "FALA SÉRIO".


Falta de competência e transparência na gestão, estão matando os índios na CASAI de Rio Branco

O texto a seguir, publicado na página do Combate ao Racismo Ambiental, mostra a triste realidade vivida pelos povos indígenas do Estado do Acre e Sul do Estado do Amazonas especialmente na área de saúde. Há anos os indígenas tem denunciado o estado de abandono da CASAI em Rio Branco sem que nenhuma providência tenha sido tomada. A lista de reclamações e denúncias vai desde a falta de água e papel higiênico até o fretamento irregular de aeronaves e contratação de empresa para prestação de serviços de lavanderia sem que os serviços sejam executados.

Ontem, às 16:00 horas, em reunião com o MPF, Polícia Federal, CIMI, e indígenas que se encontram em tratamento na CASAI de Rio Branco, o chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Sr. Raimundo Alves Costa teve a oportunidade de responder ao questionamentos e ouvir as reivindicações dos indígenas. Entretanto, mais uma vez, como sempre faz, optou por tentar responsabilizar os próprios indígenas pela situação e se defender das graves acusações que pesam contra ele, especialmente por não apresentar minimamente um plano de gestão.

Algumas respostas dadas pelo Sr. Costa, mostram claramente o despreparo e o desrespeito com que ele e seua incopetente equipe trata os indígenas em tratamento de saúde na CASAI. Questionado, por exemplo, sobre a falta de papel higiênico nos banheiros, ele argumentou que não os pode colocar porque "os pacientes retiram" insinuando que os pacientes estariam roubando o papel. Questionado também sobre o porquê da farmácia ficar fechada durante os finais de semanas e feriados, respondeu que a questão já teria sido resolvida e que a farmácia ficava fechada porque ele tinha informações de as enfermeiras de plantão estariam roubando medicamentos. Quanto a falta de leçois, fronhas, mosquiteiros etc... o argumento também foi o de que os pacientes, ao término de sua permanência na casa, estariam "levando" com eles esses objetos. Mas não conseguiu explicar porque os lençoeis não são trocados e lavados regularmente, já que tem uma lavanderia contratada para este fim.

Quanto ao frete e transporte irregular de paciente, feito por empresa sem a devida licença da ANAC para este tipo de transporte, Sr. Costa diz se tratar de um convênio com o Estado e não com o DSEI. Assim, quem deveria responder por isso seria a Secretaria Estadual de Saúde, que segundo ele é quem é reponsável pelos tratamentos de média e alta complexidade, além do tratamento fora de domicílio. Entretanto reconheceu que sim a empresa contratata, ou que presta serviços ao DSEI, por várias vezes realizou pousos em uma pista que fica na fazenda do proprietário da empresa aérea, sem no entanto conseguir explicar porque isso acontecia. Porque os aviões, se estivessem regular, não pousariam na pista do aeroporto de Rio Branco? porque alguém faria um pouso em uma fazenda sem nenhum instrumento podendo pousar em um aeroporto internacional com todas as condições de operacionalidade?

Enfim, a reunião não foi satisfatória para os indígenas porque consideraram que o chefe do DSEI, mais uma vez, não foi transparente, não assumiu sua responsabilidade e se negou a falar a verdade sobre o que realmente vem acontecendo.

Voltaremos a tocar nesse assunto. Agroa, segue o texto  do Combate ao Racismo Ambiental, com meus agradecimentos à Ana Patricia Ferreira, Patira.


A Casai de Rio Branco, Acre, pouco antes de ser fechada pelos indígenas. 
Foto tirada hoje por Ana Patira Ferreira

AC – Casa da Saúde Indígena de Rio Branco é fechada por aqueles que devia tratar


Tania Pacheco*
Combate ao racismo Ambiental

A Casa de Saúde Indígena (Casai) de Rio Branco, Acre, foi hoje fechada pelas pessoas que ela deveria acolher e tratar. A péssima qualidade no atendimento, que inclui até mesmo falta d’água para limpeza e higiene de um local onde deveria haver total assepsia, vem sendo alvo de intimações e processos do Ministério Público Federal desde o início de 2012.

Segundo Ana Patira Ferreira, neste momento as lideranças indígenas estão no MPF, juntamente com o coordenador da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Acre, Raimundo Costa, cuja demissão imediata exigem. ”Se esta é a situação em Rio Branco”, diz ela, “imagine como funcionam as Casais do interior! No município de Feijó, os indígenas ficam todos na beira do rio, porque a Casai local não tem condições de atendê-los”.

Enquanto a Funai e o Ministério da Saúde se mantêm omissos, Ana Patira pergunta: “Quantos mais terão que morrer? Tudo por puro descaso e omissão dos órgãos competentes!”.

A palavra de Deborah Duprat

Numa triste coincidência, há penas dois dias, 10 de dezembro, foi comemorado o Dia D da Saúde Indígena. E a vice-procuradora geral da República e coordenadora da Câmara das Populações Indígenas do MPF, Deborah Duprat, reafirmou a urgência de uma ação conjunta nos estados, envolvendo o ajuizamento de ações civis públicas e recomendações a órgãos públicos “a fim de proporcionar, proteger e recuperar a saúde das comunidades indígenas em todo o país”. Como ela denunciou, “está faltando tudo: médico, remédio, transporte para levar pacientes para os hospitais. O quadro é de extrema indigência”. E foi adiante: “Esta é uma data internacional de atenção aos direitos humanos dos índios. Temos o projeto de tornar esta sociedade melhor, mais plural, mais justa”.

Para que isso aconteça, Deborah Duprat afirmou que o MPF expediria recomendações e ajuizaria ações civis públicas em diversos estados, obrigando a Sesai a atender os índios que não residam em terra demarcada, construir postos de saúde nas aldeias e, por fim, prestar contas da aplicação correta dos recursos do Incentivo de Atenção Básica aos Povos Indígenas (IAB-PI), um saldo remanescente recebido pelas prefeituras no passado e não utilizado. As ações civis públicas vão também exigir do poder público o fornecimento de medicamentos e tratamento de água nas aldeias, assim como a melhoria no transporte aos pólos base e na estrutura das Casas de Apoio à Saúde do Índio (Casais).

A vergonhosa situação do Acre

Informação divulgada pelo Ministério Público Federal do Acre, no próprio dia 10, salienta que o órgão há anos vem tentando ”resolver as deficiências por meio extrajudiciais, através de reuniões, audiências públicas e recomendações”. Em abril de 2011, o MPF alertou a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde “sobre a necessidade de reformulação do quadro de servidores e da estrutura física disponibilizada aos índios das 14 etnias no Estado”.

Como as reuniões, audiências e recomendações se mostraram inúteis, em fevereiro deste ano o MPF ajuizou uma ação civil pública, pedindo que a Justiça Federal determinasse amplas melhorias para justificar inclusive a existência da Sesai. Na ação, o Ministério denuncia “a situação de descaso e abandono a que os índios são submetidos, com a alta incidência de Hepatites do tipo ‘B’ nas aldeias. Uma doença que tem prevenção por meio de vacina, mas que até hoje não foi alvo de uma campanha de vacinação que garantisse a imunização da totalidade dessas pessoas que residem em áreas de difícil saída e em sua grande maioria não tem como se locomover às cidades nas campanhas regulares de imunização”.

Ainda segundo o documento divulgado segunda-feria, o “MPF pediu à Justiça que determinasse a organização dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas conforme sua previsão original, com a contratação, no prazo de até um ano, de profissionais de saúde com salário compatível com os dos outros profissionais de saúde do Governo Federal. Além disso, também foi pedido que fosse determinada, no prazo de 12 meses ou outro fixado pela Justiça, a construção de postos de saúde em todas as aldeias definidas nos Planos Distritais de Saúde. Pelos pedidos da ação, também deveriam ser executadas obras de saneamento básico, até o ano de 2014, bem como serem adquiridos alimentos e medicamentos, de acordo com as indicações nos Planos Distritais, incluindo-se nessas aquisições kits de higiene pessoal a serem distribuídos mês a mês”.

O final da informação é lamentável e vergonhoso, mas explica os motivos que levaram ao fechamento da Casai, hoje: “A Justiça Federal negou por duas vezes a concessão de liminar que anteciparia os efeitos dos pedidos da ação, e o MPF aguarda pelo julgamento regular do caso”.

Ante esse total divórcio entre o MPF e os juízes federais, é urgente que o Ministério da Saúde se pronuncie e tome providências, inclusive afastando o responsável pela Sesai no estado. É fundamental, igualmente, que Deborah Duprat, uma pessoa que aprendemos a respeitar, faça valer suas palavras no início da semana. E é bom paralelamente que tod@s nós, que estamos na luta, entendamos cada vez melhor a importância de combater a PEC 37! A justiça precisa ser democratizada, para que os direitos sejam respeitados neste País. Chega de arbítrio e de impunidade!

*Com informações de Ana Patira Ferreira e do MPF do Acre.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

COMUNIDADES E FLORESTAS AMEAÇADAS POR REDD

- REDD, desmatamento e as causas do desmatamento
Imagem ilustrativa deste blog

Fica cada vez mais evidente que os esforços de governos, ONGs, instituições e empresas, de fazer do REDD a principal estratégia para reduzir o desmatamento, não estão dando certo nos países com florestas tropicais. O desmatamento continua a todo vapor, puxado por diferentes “projetos de desenvolvimento”, como a mineração, as plantações em larga escala do dendezeiro, da soja e de outros cultivos, as hidrelétricas e obras infraestruturais para facilitar o escoamento das matérias-primas. Até mesmo o chamado “manejo florestal sustentável” acaba contribuindo com mais destruição.

Aumentam também as evidências de que os projetos de REDD promovidos em diferentes países com florestas tropicais estão causando muitos problemas para as comunidades locais, como mostram vários artigos neste boletim. Isso inclusive motivou o WRM a escrever uma cartilha para comunidades, baseada nessas experiências e chamada “10 alertas sobre REDD para comunidades”, também citada nesta edição. Um dos principais problemas apontados pelas comunidades é o das restrições que sofrem no uso que tradicionalmente fazem das florestas e no controle dos seus territórios.

É bom lembrar que muito antes de o REDD aparecer, muitas pessoas que conhecem minimamente a problemática das florestas tropicais já sabiam que a melhor forma de combater sua destruição era garantir a povos e populações que vivem nas florestas e tradicionalmente dependem delas os direitos sobre seu território e o uso da floresta. Há vários exemplos no mundo comprovando que, onde se garantem esses direitos, as florestas estão sendo mais bem conservadas.

Talvez um dos poucos aspectos positivos das negociações recentes sobre REDD em nível da Convenção de Mudança Climática da ONU – que organiza uma nova rodada este mês em Doha, Qatar -, seja o fato de que novamente há alguma discussão sobre as causas do desmatamento. Desde que se começou a falar de REDD, uma das questões que têm mais incomodado aos povos da floresta é que países, em seus esforços para ficarem “prontos para REDD”, têm insistido em apontar esses povos como sendo os principais responsáveis do desmatamento, que seria resultado de “práticas” como a agricultura itinerante. Da mesma forma, o que têm incomodado também é que os “grandes projetos de desenvolvimento” citados acima não receberam esse mesmo tratamento, ao contrário, continuam sendo promovidos como ações importantes para o “desenvolvimento”, apesar da destruição que causam.

E mais, com REDD e as crescentes tentativas de comercializar também outros “serviços ambientais”, as grandes empresas por trás dessa destruição das florestas tropicais estão analisando a nova oportunidade de poder “compensar” suas ações destrutivas com projetos de REDD ou com outros que busquem comercializar esses “serviços ambientais”.

Mesmo que o REDD em nível internacional possa ter seus dias contados por falta de financiamento, a ansiedade das grandes empresas de “compensar” suas ações destrutivas com ações “verdes”, ou seja, de justificar o injustificável, não está com seus dias contados, ao contrário. Para essas empresas, cada vez maiores, este tipo de mecanismo é de suma importância no momento atual, em que as contradições do modelo destrutivo de exploração dos recursos naturais começam a ficar cada vez mais explícitas, por exemplo, nos efeitos das mudanças climáticas, da degradação ambiental e do desmatamento, e são mais sentidas pelas populações rurais em todo o mundo, inclusive os povos da floresta.

Acreditamos que, só com muita luta e mobilização das comunidades afetadas pelos projetos em larga escala de “desenvolvimento” e com muita solidariedade nacional e internacional, é possível garantir força suficiente para que os governos tomem finalmente medidas efetivas para reduzir o desmatamento, olhando de fato para quem está causando a destruição.

E mais do que isso, é preciso urgentemente tomar medidas contra as causas subjacentes do desmatamento, em especial, mudando estruturalmente o padrão de produção e consumo totalmente insustentável nos países mais industrializados. Isso não será alcançado apenas com atitudes individuais responsáveis, mas requer ações energéticas dos governos para reduzir o poder corporativo e o poder do grande capital em geral, inclusive e, sobretudo, do capital financeiro. Além do reconhecimento dos direitos dos povos da floresta, esse é um caminho fundamental se queremos realmente reduzir o desmatamento

Movimento Mundial Pelas Florestas Tropicais

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

DENÚNCIA:Trabalho escravo dentro do Ministério da Justiça FUNAI

Boa tarde,

Mando este email para notificar o seguinte assunto:

Tem neste momento pessoas trabalhando numa sede da fundação nacional do índio no município de Jordão-AC. Essas pessoas não recebem salário a um ano. A última vez que a funai levou alimento e combustível foi em março de 2012, eles estão comendo alimento vencido e alguns tiveram sua saúde comprometida por conta disso.
 
Essas pessoas eram contratadas por uma empresa terceirizada, mas há 1 ano atrás o contrato de carteira assinada acabou, desde então a coordenação de índios isolados e recém contatados da funai brasília fica pedindo para essas pessoas continuarem trabalhando, prometendo que estão correndo atrás de solucionar a situação deles através de um novo contrato.
 
O local é de difícil acesso, ou seja, para eles irem até lá precisou da ajuda da funai, e para eles saírem de lá também precisa da ajuda da funai.

É uma situação tão irregular e revoltante que parece mentira, mas a verdade é que essas pessoas estão lá nesse momento. O poder executivo federal que deveria combater o trabalho escravo, está praticando por meio de uma de suas instituições.
 
Uma dessas pessoas esteve recentemente em rio branco por conta de atendimento médico. Nesta ocasião fez denúncia no ministério do trabalho mas nenhuma providencia foi tomada ate então.
 
Em seguida, foi feita denuncia no ministério publico do trabalho, que prometeu ajuda, mas passados mais de 20 dias essas pessoas continuam trabalhando em condições subumanas.


Segue em anexo copia da denuncia feita no ministério publico do trabalho. aqui
 
Portanto, solicito ajuda para que esta situação tenha um basta, pois é inaceitável em pleno século 21 ainda existir este tipo de prática ilegal e covarde especialmente dentro do poder executivo federal.
 
 
A denúncia aqui apresentada é gravíssima e precisamos que o MT e o MJ, bem como a própria Funai do Acre, venham a público esclarecer o que está acontecendo e, se for o caso, punir com os rigores da lei os responsáveis por essa barbaridade. Se tratam assim trabalhadores que falam português, tem moradia em outra região e são conhecedores de seus direitos, imaginem o que não podem fazer com os indígenas!

Os desmandos da Funai estão adquirindo contornos preocupantes há muito tempo. Nós temos denunciado a paralização dos processos de demarcação, o abandono nas áreas de saúde e educação, os empreendimentos em terras indígenas como estradas (BR 364 e 317), projetos de PSA/REDD, exploração de petróleo e gás natural e muitos outros empreendimentos que atentam contra a vida desses povos, mas parece que a Funai, demais autoridades e as ONGs estão cegos aos problemas que afligem os povos indígenas neste Estado do Acre e Sul do Estado do Amazonas. Ninguém parece questionar esses empreendimentos que visam tão somente abrir áreas para o capital privado se restruturar na Amazônia.