sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Amazônia, um imenso pasto


Frei Betto

Os dados são do governo federal: 17,5% da Amazônia brasileira é área desmatada. Deste total, 62% foi transformado em pasto de gado. Imagens de satélite comprovam que até 2008 uma área de 719 mil km², ou seja, três vezes o estado de São Paulo ou pouco menos que a extensão do Chile, que viu abatidas todas suas árvores. E, claro, seus rios e lagos contaminados.

Ao contrário do que se imagina, a agricultura, especialmente a destinada para a produção de grãos como soja, ocupa menos de 5% da área total desmatada. A arma principal da devastação da Amazônia, a motosserra, derruba árvores e cria pastos de baixíssima produtividade, até o ponto de que uma zona de tamanho de um campo de futebol está ocupada por apenas uma vaca.

Na Amazônia se concentram 71 milhões de cabeças de gado. Quase todas destinadas a produzir carne de exportação. A maioria dos pecuaristas não apresenta condições para assegurar a produtividade de seus rebanhos e, ao mesmo tempo, para preservar a selva. O investimento para assegurar produtividade combinada com preservação é caro e exige, no mínimo, 5 mil cabeças de gado.

Os satélites monitorados pelo governo federal revelam que existem amplas áreas amazônicas em processo de recuperação, 21% do total desmatado. No total, 150,8 km², cerca de 100 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Diante dos dados apresentados pelo INPE (Instituto Nacional de Investigações Espaciais) e pela empresa Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) não tem sentido decretar uma moratória aos responsáveis do corte raso da Amazônia, como chegou a propor o texto do novo Código Florestal, com o apoio do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante.

Portanto, tem que reformular o projeto do Código e aplicar multas pesadas e castigos aos responsáveis do manejo das motosserras que, ao desmatar, provocam o aumento do aquecimento global e do desequilíbrio ambiental.

Para preservar a Amazônia, melhor que códigos florestais e fiscalizações, seria a reforma agrária adaptada para seu grandioso ecossistema, de modo que se impeça a atividade predatória do agronegócio, do latifúndio e de empresas de mineralogia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nota da CNBB sobre o Código Florestal


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quinta-feira, 1º de dezembro, uma Nota sobre o Código Florestal na qual expressa sua preocupação pela possível aprovação do projeto com a falta de algumas “correções necessárias”.

“O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção”, destaca a CNBB em um trecho da Nota.

Ainda no texto, a Conferência sublinha que o projeto “não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana”. 

Leia, abaixo, a Nota na íntegra

O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da Conferência Nacional dos bispos do Brasil - CNBB, reunido nos dias 29 e 30 de novembro de 2011, vem manifestar sua preocupação com a possível aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de reforma do Código Florestal brasileiro. Já aprovado nas devidas Comissões do Senado Federal, o novo Código Florestal, tão necessário ao Brasil, embora tenha obtido avanços pontuais na Comissão do Meio Ambiente, como um capítulo específico para a agricultura familiar, ainda carece de correções.

O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção. Sob o pretexto de defender os interesses dos pequenos agricultores, esta proposta define regras que estenderão a anistia a quase todos os proprietários do país que desmataram ilegalmente.

O projeto fragiliza a proteção das florestas hoje conservadas, permitindo o aumento do desmatamento. Os manguezais estarão abertos à criação de camarão em larga escala, prejudicando os pescadores artesanais e os pequenos extrativistas. Os morros perderão sua proteção, sujeitados a novas ocupações agropecuárias que já se mostraram equivocadas. A floresta amazônica terá sua proteção diminuída, com suas imensas várzeas abertas a qualquer tipo de ocupação, prejudicando quem hoje as utiliza de forma sustentável. Permanecendo assim, privilegiará interesses de grupos específicos contrários ao bem comum.

Diferentemente do que vem sendo divulgado, este projeto não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana.

A tão necessária proteção e a diferenciação mediante incentivos econômicos, que seriam direcionados a quem efetivamente protegeu as florestas, sobretudo aos agricultores familiares, entraram no texto como promessas vagas, sem indicativo concreto de que serão eficazes.

Insistimos que, no novo Código Florestal, haja equilíbrio entre justiça social, economia e ecologia, como uma forma de garantir e proteger as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas e de defender os grupos que sabem produzir em interação e respeito com a natureza. O cuidado com a natureza significa o cuidado com o ser humano. É a atenção e o respeito com tudo aquilo que Deus fez e viu que era muito bom (cf. Gn 1,30).

O novo Código Florestal, para ser ético, deve garantir o cuidado com os biomas e a sobrevivência dos diferentes povos, além de preservar o bom uso da água e permitir o futuro saudável à humanidade e ao ecossistema.

Que o Senhor da vida nos ilumine para que as decisões a serem tomadas se voltem ao bem comum.


Brasília-DF, 30 de novembro de 2011

O 13º Salário NUNCA existiu...

Nesses dias de compras, 13º, papai noel... resolvi publicar algo que julgo ser interessante. As informações e os calculos foram colhidos da internet. Acho interessante. Os grifos em vermelho são meus. Leiam e confirmem.

 
Os trabalhadores ingleses recebem os ordenados semanalmente! 

Mas há sempre uma razão para as coisas e os trabalhadores ingleses, membros de uma sociedade mais amadurecida e crítica do que a nossa, não fazem nada por acaso!

Ora bem, cá está um exemplo aritmético simples que não exige altos conhecimentos de Matemática, mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.

Lembrando que o 13º no Brasil foi instituído pela Lei 4.090, de 13/07/1962 e que nenhum governo depois mexeu nisso.

Porquê? Porque o 13º salário não existe.

O 13º salário é uma das mais escandalosas de todas as mentiras dos donos do poder, quer se intitulem “capitalistas” ou “socialistas”, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam.

Suponhamos que você ganha R$ 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de R$ 8.400,00 por um ano de doze meses.
R$ 700,00 X 12 = R$ 8.400,00

Em Dezembro, o generoso governo manda então pagar-lhe o conhecido 13º salário.

R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00

R$ 8.400,00 (Salário anual)
+ R$ 700,00 (13º salário)
= R$ 9.100,00 (Salário anual mais o 13º salário)

... e o trabalhador vai para casa todo feliz com o governo que mandou o patrão pagar o 13º.

Façamos agora um rápido cálculo aritmético:

Se o trabalhador recebe R$ 700,00 mês e o mês tem 4 semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.

R$ 700,00 (Salário mensal)
dividido por 4 (semanas do mês)
= R$ 175,00 (Salário semanal)

O ano tem 52 semanas (confira no calendário, se tens dúvida!). Se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será R$ 9.100,00.

R$ 175,00 (Salário semanal)
X 52 (número de semanas anuais)
= R$ 9.100,00

O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º salário 

Surpresa!! 

Onde está, portanto, o 13º Salário?

A resposta é que o governo, que faz as leis, lhe rouba uma parte do salário durante todo o ano, pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas o governo só manda o patrão pagar quatro semanas) o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.

No final do ano o generoso governo presenteia o trabalhador com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.

Se o governo retirar o 13º salário dos trabalhadores da função pública, o roubo é duplo.

Daí que não existe nenhum 13º salário. O governo apenas manda o patrão devolver o que sorrateiramente foi tirado do salário anual.

Conclusão: Os Trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional.
(não vamos nem entrar no assunto dos meses que você trabalha de graça apenas para pagar impostos e encher os bolsos dos mesmos que você ajudou a colocar no poder...através do voto)

Marcha indígena em Mato Grosso do Sul, contra o genocídio e impunidade


A Marcha contra o Genocídio e pela Paz, organizada pelo movimento político Kaiowá Guarani Aty Guasu, reuniu nesta quarta-feira cerca de 500 pessoas que caminharam sete quilômetros - pela rodovia MS 386 entre Amambai e Ponta Porá, Mato grosso do Sul - até o local do acampamento Tekoha Guaiviry, onde foi morto, no último dia 18, o líder político e religioso Nísio Gomes.

“Foi muito boa a marcha. Superou as nossas expectativas porque com todo esse sofrimento e o medo de acontecer alguma coisa, realmente mostramos que estamos fortes”, avaliou Otoniel Kaiowá Guarani, membro do Aty Guasu. Todos os povos do estado participaram da marcha, sobretudo indígenas dos 31 acampamentos espalhados pelo MS, tal como o Tekoha Guaiviry. 

O protesto pediu a investigação rigorosa e a prisão dos criminosos que realizaram o crime. No acampamento, integrantes da marcha visitaram o local do triste episódio que culminou no desaparecimento de Nísio. No último fim de semana, a Aty Guasu, em reunião extraordinária, divulgou manifesto pedindo intervenção federal em Mato Grosso do Sul, em função da incapacidade do estado de garantir a segurança dos indígenas.

A marcha contou com o apoio das seguintes entidades do movimento indígena regional e nacional: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Associaçao Kaguateca Marçal de Souza, Movimento dos Professores Guarani Kaiowá, Aty Guasu Jovem, Aty Guasu das Mulheres e acadêmicos indígenas.

Representantes da Presidência da República e integrantes da Comissão Interministerial montada para atuar na questão indígena no estado também acompanharam a marcha até o acampamento. “Importante esse apoio. Claro que precisamos de demarcação e de segurança, mas realizarmos essas atividades tem sido muito importante para nós”, declara Otoniel.

O indígena explica que os Kaiowá não podem mais andar sozinho e ressalta a continuidade das ameaças e ataques, como a da última segunda-feira quando tiros foram disparados contra o acampamento Pyelito Kue, no município de Iguatemi (MS). “As consequências virão, mas o medo nos leva para a vitória. É a assim que acontece conosco”, ressaltou Otoniel.

No último dia 18, o acampamento Guaiviry foi atacado por pistoleiros que atiraram em Nísio Gomes e o levaram em uma caminhonete, junto com outras três crianças da comunidade, desaparecidas até o momento. Deixaram, ainda, vários feridos por balas de borracha no local. As investigações sobre o crime ainda estão em curso. Segundo as testemunhas, Nísio não foi atigindo apenas por balas de borracha, sangrando muito em função de balas no tórax.

“O Nísio foi embora e isso vai continuar acontecendo, temos certeza. Mas temos consciência de que é assim: um vai e os outros ficam para seguir com a luta”, disse Otoniel. Na sexta-feira (2) o Aty Guasu realiza atividade com a Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional, que visitará acampamentos e tomará depoimentos dos indígenas.

As mortes Kaiowá

Os Guarani-Kaiowá são hoje o mais numeroso povo indígena do país, com mais de 45 mil pessoas que vivem confinadas em 42 mil hectares de terra. A situação de miséria em boa parte das terras do grupo gera um ambiente de violência. Nos últimos oito anos, segundo recente relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), houve 250 assassinatos entre indígenas do Mato Grosso do Sul, mais do que todas as mortes ocorridas no resto do país (202). O grupo também sofre com altos índices de suicídio entre os jovens, e desnutrição entre as crianças.

Entre as mortes, há várias lideranças que, como Nísio, lutavam pela demarcação de suas terras. Nos últimos anos, em Paranhos, no Tekoha Ypo'i, foram mortos Jenivaldo Vera, Rolindo Vera (2009) e Teodoro Ricarte (setembro de 2011). Em Coronel Sapucaia, no Tekoha Kurusu Amba, morreram desde 2007 Ortiz Lopes, Xurite Lopes, Osvaldo Lopes e Osmair Martins. Em 2006, em Antonio João, na Terra Indígena Nhanderu Marangatu, foi morto Dorvalino Rocha. Em 2003, em Juti, na T.I. Takuara, Marcos Verón. A lista não para até 1983, quando foi assassinado Marçal de Souza.

Segundo a Constituição de 1988, o processo de demarcação das terras indígenas no país deveria ter sido terminado em 1993. Entretanto, as pressões políticas dos fazendeiros retardaram o processo em MS. No final de 2007, a Funai assinou acordo com o Ministério Público Federal para apressar a demarcação e, em função disso, seis grupos de trabalho para identificação e delimitação de terras indígenas foram lançados em julho de 2008. O fato gerou forte reação dos fazendeiros do estado e, desde 2009, uma série de episódios violentos tem acontecido.

Além de lutar pelas novas demarcações, os Guarani-Kaiowá também aguardam o desfecho de processos antigos, hoje barrados por processos judiciais. É o caso de Terras Indígenas como Takuara, Nhanderu Marangatu, Arroio Korá, Guyraroka, Jatay Vary, Potrero Guasu e outras.