quinta-feira, 5 de setembro de 2013

“(Des)envolvimento Insustentável da Amazônia Ocidental”


Acesse aqui e LEIA O LIVRO  e-book “(Des)envolvimento Insustentável da Amazônia Ocidental” que será lançado dia 10 de setembro, às 19 horas no Auditório da ADUFAC (Associação dos Docentes da UFAC).

“(Des)envolvimento Insustentável da Amazônia Ocidental”, a mais debatida obra de Elder Andrade de Paula*, teve sua primeira edição em 2005, pela Editora da Universidade Federal do Acre.

Fruto da tese defendida pelo autor em 2003, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o livro rompeu paradigmas, despertando uma série de debates sobre o modelo de desenvolvimento sustentável que serviu de base para a construção da política ambiental brasileira.

A obra que, nas palavras do autor, parecia ser uma ação de Dom Quixote, “condenada às gavetas da Universidade”, ressurge em 2013, numa proposta inovadora, comprovando que o debate que enseja continua atual e necessário.

Ao longo de seus quatro capítulos, explicita as razões da insustentabilidade desse modelo de desenvolvimento.

Em 2013, a Editora da Universidade Federal do Acre – Edufac – comemora 10 anos. Com o objetivo de celebrar sua primeira década, surgiu a ideia de relançar uma obra que ao mesmo tempo, representasse essa ligação com o Acre e com a ideia de “iluminar o caminho” presente na poronga, que é a logomarca da editora.
Impulsionados pela vontade de levar leitura de qualidade aos leitores e diante das dificuldades para publicar obras impressas, a escolha por relançar “(Des)envolvimento Insustentável”, do Prof. Dr. Elder Andrade de Paula é uma ação que marca de vez a inserção da Edufac nas mídias digitais.

Além de ser o segundo e-book da editora, até onde se pesquisou, é o primeiro a ser lançado diretamente no Facebook, uma plataforma gratuita que apresenta um alcance inigualável em temos de mídias digitais. A proposta é atingir um público diversificado, chamando para o debate tanto os segmentos sociais organizados em torno das mídias digitais quanto pessoas interessadas no tema. Além disso, esse formato da 2.ª edição traz a possibilidade de ampla discussão do tema e de interação com o autor, em tempo real.
Com isso, a Edufac traz novamente à cena uma obra, que, mesmo após oito anos da primeira edição, ainda permanece atual, polêmica e instigante. Um verdadeiro convite ao posicionamento.

E você, o que pensa?
Venha debater com o autor.

Quem é Elder Andarade de Paula?

* Elder Andrade de Paula é um mineiro-carioca-acreano que, ao longo de quase três décadas, tem encampado a luta dos seringueiros do Acre. Militante político desde cedo,  Elder engajou-se no Movimento Estudantil, atuando como coordenador e presidente do DCE da UFRRJ (1981-83) e no Movimento de Emancipação do Proletariado – MEP, organização de esquerda clandestina. Em 1984, integrando o Partido Revolucionário Comunista – PRC, saiu de uma passeata das “Diretas Já” no centro do Rio de Janeiro para fazer uma viagem que o levaria a tomar lugar de destaque nos movimentos de resistência camponesa no Acre.

Combativo e perspicaz em seus posicionamentos, Elder consegue articular com extrema simplicidade, de um lado, uma militância consciente em defesa das comunidades tradicionais do Acre, e de outro, uma intensa e rica produção científica e acadêmica. Possui graduação em Licenciatura em Ciências Agrícolas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1983), Mestrado (1991) e Doutorado (2003) em Ciências Sociais pelo CPDA/ Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Pós Doutorado em Sociologia do Desenvolvimento pela Universidad Nacional Autónoma de México - UNAM (2011).

Participou ativamente da construção do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro e da Fundação da Central Única dos Trabalhadores – CUT Acre, atuando como membro da executiva entre 1984-1986 e 1991-1993. Atuou ao lado de Chico Mendes na Direção Nacional da CUT, de 1984-1986, e foi Assessor do Conselho Nacional dos Seringueiros entre 1990-1994. Desligou-se do PT em 1996, por considerar que o partido não expressava mais um instrumento de apoio à luta pela emancipação social.

Elder é também Professor e Pesquisador da Universidade Federal do Acre (Amazônia - Brasil), coordenando o Núcleo de Pesquisa: Estado Sociedade e Desenvolvimento na Amazônia Ocidental e atuando junto às lutas de resistência por terra/território na Amazônia desde os “tempos de Chico Mendes”. Recentemente, tem se destacado por seu engajamento nos novos movimentos sociais como o “Dia do Basta”, que mobilizou a comunidade acreana na luta pela liberdade de expressão e contra as forças repressivas do estado.

Parabenizo o grande e combativo professor Elder, comandante das "brigadas" por mais este feito. Conheço bem o professor Elder e sei de sua honestidade intelectual e de seu empenho e dedicação em nome da justiça. Elder tem sido um grande e indispensável colaborador na construção do BEM VIVER. A ele rendo minhas homenagens e votos de que o e-book seja um sucesso, assim como foi e tem sido o livro no formato impresso.

Os Ciclos Colonizatórios no Rio Grande do Sul e os Enfrentamentos Necessários ao Latifúndio na Defesa dos Direitos Territoriais Indígenas no Brasil

Por Cleber César Buzatto
Secretário executivo do CIMI

Em 1856, o governo oficializou a primeira grande redução das terras indígenas no estado do Rio Grande do Sul. Por meio de ato público, delimitou uma área compreendida entre os limites naturais do Rio Uruguai, ao norte, o Rio Passo Fundo, ao oeste, o Rio da Várzea, ao Leste, e os “Campos de Sarandi”, ao Sul. Calcula-se que este perímetro chegue a aproximadamente 420 mil hectares de terra. Esta demarcação foi feita a fim de diminuir a resistência e os enfrentamentos que os Kaingang faziam à colonização do seu território.

Em 1912, já com o Serviço de Proteção aos Indíos (SPI), a área acima descrita, “reservada” aos indígenas, sofreu nova redução. No interior da mesma, foram demarcadas as terras indígenas Serrinha, com 11.950 hectares, e a Terra Indígena Nonoai, com 34.950 hectares. O restante, cerca de 373 mil hectares foi disponibilizado ao avanço da colonização.

             Por volta dos anos de 1950 e 1960, o processo de colonização avançou para cima também destas duas terras indígenas. A Terra Indígena Serrinha foi extinta e os indígenas levados em caminhões para a Terra Indígena Nonoai. Nesta, por sua vez, os Kaingang conseguiram assegurar a posse de aproximadamente 3.000 hectares. Do restante, uma parte foi transformada e parque florestal estadual e a outra foi tomada por arrendatários que, posteriormente, receberam, do governo do Rio Grande do Sul, títulos das áreas arrendadas dentro da terra indígena.

            Neste processo colonizatório, por não imprimirem resistência bélica, os Guarani  acabaram totalmente alijados de seu território. Sendo obrigados, desde então, a residirem, “de favor”, no interior das terras reservadas aos Kaingang ou nas beiras das rodovias que foram sendo abertas no estado.

            Os Kaigang nunca se conformaram e sempre imprimiram grande resistência aos colonizadores. Foi exatamente esta resistência e os enfrentamentos por eles implementados que obrigou o Estado a ao menos oficializar as reduções de seu território. E foi a partir dos poucos hectares restantes que os Kaingang encontraram força para retomar parte do território tradicional, iniciando este ciclo com a expulsão dos não-índios da terra indígena Nonoai em 1978. Nos anos seguintes, retomaram também a Terra Indígena Serrinha, auto-demarcaram a Terra Indígena Iraí e continuaram a luta pela reconquista de espaços minimamente suficientes para viverem de acordo com seu jeito próprio de ser. A Constituição Federal de 1988 potencializou as forças dos povos indígenas nesse processo.

            Estamos convencidos, no entanto, de que vivemos um momento da história em que os colonizadores, sempre em conluio com o Estado, estão articulados e empenhados não só para romperem este processo de reconquista territorial por parte dos povos, mas também para implementarem um novo ciclo colonizatório-desenvolvimentista em âmbito nacional, aos moldes do ocorrido nos períodos de 1856, 1912 e 1950 no Rio Grande do Sul. Para tanto, implícita ou explicitamente articulados, enquanto os governos, federal e estaduais, buscam enredar os indígenas em “mesas de diálogo” que os mantenham “quietos”, os ruralistas pressionam e manejam instrumentos, de forma maciça e violenta, na perspectiva de romper os direitos coletivos estabelecidos na Carta Magna.

Com bem mostra a história, neste contexto, para assegurar seus direitos territoriais, não resta outra alternativa aos povos indígenas senão a resistência e o enfrentamento agudo ao latifúndio colonizador. Do contrário, com as duplicações de rodovias que estão em curso em muitas regiões do país, não restarão nem mesmo as beiras de estradas para os povos “se abrigarem”. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Palmério Dória: O ex-deputado e a venda de votos para reeleger FHC


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Palmério com o Senhor X, no Acre (foto Mylton Severiano, cedida pela Geração Editorial)

por Luiz Carlos Azenha

Foi o acreano Narciso Mendes, hoje com 67 anos de idade, quem usou um gravador emprestado pelo repórter Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, para comprovar que deputados federais de seu estado venderam os votos na aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997.

A revelação é feita no livro O Príncipe da Privataria, de Palmério Dória, que chega às livrarias hoje.
Em Brasília não era segredo o papel desempenhado por Narciso, à época deputado federal pelo Partido Progressista, de Paulo Maluf. Porém, pela primeira vez ele assume oficialmente o que fez.

Trecho do livro:

A compra dos votos para a reeleição, frisa Narciso, “se dava às escâncaras”. Seria “muita ingenuidade”, diz ele, considerar inverossímil que, no episódio da troca de cheques pré-datados por dinheiro vivo, os deputados saíssem carregando R$ 200 mil em sacolas. Afinal, em notas de R$ 100,00 seriam duas mil notas, ou o dobro se fossem notas de R$ 50,00. Duzentos pacotes de mil reais: volume considerável. “Tinha de ser em sacolas!”, diverte-se ele.

O que Narciso diz é que cheques foram antecipados e, posteriormente — depois da aprovação da emenda — trocados por dinheiro.

Dois deputados renunciaram antes de serem cassados pela Câmara, ao admitirem envolvimento na tramoia: Ronivon Santiago e João Maia. Outros três, igualmente da bancada acreana, também foram citados como tendo vendido o voto.

Na época, o PSDB atribuiu a manobra a interesses paroquiais, de governadores que também seriam beneficiados pela aprovação da emenda. Porém, o livro coloca a operação no colo de Sérgio Motta, então ministro das Comunicações e principal articulador de FHC junto ao Congresso Nacional.

Narciso, hoje empresário no Acre, é dono do jornal O Rio Branco e de uma retransmissora do SBT. Ele sustenta que se opôs à emenda que garantiu a reeleição a FHC por questões ideológicas. Não concordava que pudesse beneficiar quem a promovia.

Reproduzindo um trecho de A Arte da Política, livro de FHC, afirma: “Aqui diz Fernando Henrique Cardoso: Sérgio Motta indignou-se, queria logo uma CPI na ingenuidade de imaginar que, naquela circunstância, da CPI resultasse outra coisa diferente do que culpar o governo”.

Comenta:

“Nem Sérgio Motta queria CPI, nem Fernando Henrique queria CPI, nem Luís Eduardo Magalhães [líder do governo] queria CPI, ninguém queria, porque sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos”.

Mas, quantos votos foram comprados para que FHC pudesse se reeleger?

Nos cálculos do senador Pedro Simon, citado no livro, 150. A 200 mil reais por cabeça, por baixo, R$ 300 milhões!

Narciso acha que foram mais. Nega que, como foi acusado por escrito por FHC, tenha tentado tumultuar a tramitação da emenda.

“Como é que um desgramado, do baixo clero, do Acre, tinha poderes para tumultuar a emenda da reeleição?”, afirma Narciso.

Também rebate a ideia de que o governador do Acre à época, Orleir Cameli, assim como outros dirigentes de estados do Norte, tivessem tomado a iniciativa de promover a emenda, como sugere FHC em seu livro.

 Uma mentira, diz Narciso, pois no Acre, por exemplo, Orleir Cameli não se candidatou à reeleição. Ademais, acrescenta, não foi “o pessoal do Norte” quem inventou a reeleição, muito menos a compra de votos. “Foi uma criação do  senhor Sérgio Motta e do senhor Fernando Henrique Cardoso”, reitera.

O livro O Príncipe da Privataria é, na verdade, um balanço do entorno do homem que “vendeu o Brasil”. Uma denúncia menos na linha de Amaury Ribeiro Jr. e mais na de Aloysio Biondi e seu O Brasil Privatizado.

Um escândalo sobre o qual o Brasil pouco refletiu, já que a mídia corporativa se refere àquele como um período de ouro do país. É importante frisar que os principais grupos de mídia tiraram proveito direto dos negócios envolvidos na privatização.

Na Nota do Editor que abre o livro, Luiz Fernando Emediato pergunta: “onde estava, no reinado dos tucanos, o ministério público, o procurador geral da República, os Joaquim Barbosa daquele tempo? O chamado “mensalão” — tenha existido ou não — parece coisa de amadores diante do profissionalismo de empresários, burocratas e políticos daquele tempo. Nenhuma CPI. Nenhuma investigação que chegasse ao fim. Nenhuma denúncia capaz de levar a um processo e a uma condenação!”

Palmério Dória avança a tese de que Glauber Rocha, na década de 70, foi visionário ao dizer:

No Brasil, o gancho do Pentágono é o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que funciona em São Paulo.

Fernando Henrique Cardoso é apenas um neocapitalista, um kennedyano, um entreguista.

Como a Central de Inteligência dos Estados Unidos deu dinheiro à Fundação Ford e esta ao Cebrap — na casa, especula Palmério, do milhão de dólares –, “o Cebrap recebeu dinheiro da CIA”.

Teria sido este o início da “inspiração” que levou FHC a adotar a agenda do consenso de Washington, que resultou na queima de R$ 100 bilhões em patrimônio público dos brasileiros.

TUDO POR DINHEIRO - primeira parte

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Em recente visita a microrregião de Itaparica, aos municípios de Floresta, Belém do São Francisco, Petrolândia e Itacuruba, pude constatar, a completa falta de informação das respectivas populações sobre a provável instalação de uma usina nuclear na região.

A visita, que contou com o apoio da Diocese de Floresta através do Movimento Cultura de Paz, teve o objetivo de levar informações sobre a energia nuclear, a radioatividade, os efeitos da radiação, o que é uma usina nuclear e como funciona, os riscos de acidentes e a situação desta fonte energética no mundo e no Brasil. Além de haver uma discussão sobre outras fontes de energia, em particular aquelas encontradas na natureza, que poderiam atender a demandas energética destas populações.

Foram realizadas Rodas de Dialogo nos quatro municípios com a presença de educadores, religiosos, políticos, representantes da sociedade civil organizada, movimentos de jovens, representantes de grupos quilombolas e indígenas. Amplo material de divulgação foi distribuído aos participantes, desde cartilha explicativa, cordéis, e-books com artigos sobre a questão nuclear e panfletos.

Como resultado das Rodas de Dialogo foram definidos em cada cidade, ações que serão desenvolvidas no intuito de mais e mais pessoas se incorporarem ao debate sobre a instalação da usina nuclear. Assunto de grande importância para o destino dos moradores das cidades e do campo daquele território.

O trabalho planejado durante estes reuniões se dará essencialmente na divulgação pelas redes sociais, em ações nas escolas estimuladas pelos educador@s, na distribuição de material informativo aos membros das associações de moradores, associações de pescadores, comerciantes, nas aldeias indígenas e nas comunidades quilombolas. O que se espera de toda esta movimentação é que as populações se envolvam neste debate, e como resultado, formem opinião sobre a decisão unilateral tomada de se instalar a usina nuclear. Espera-se que sejam ouvidos, e tomem em suas mãos a responsabilidade de aceitarem ou não esta instalação industrial para produzir energia elétrica. O que não se pode mais aceitar e nem admitir são que decisões sejam tomadas à revelia, sem a participação dos principais interessados.

Por outro lado nestas reuniões, o que era esperado aconteceu. Mesmo convidado à classe política não esteve presente, e quando alguns de seus membros compareceram, foi de maneira não participativa nos debates. O que se percebe nesta atitude é que fogem da discussão pública. Evitam se comprometerem, e nem emitem suas opiniões publicamente. Todavia, à surdina, conspiram para a vinda da usina nuclear para a região, apoiando interesses pessoais em detrimento do interesse público, da coletividade, das comunidades.

Também nesta viagem, tornou mais claro o interesse econômico envolvido com a construção da usina nuclear no município de Itacuruba. A área pré-selecionada a beira do rio São Francisco possui diversos proprietários em todo seu entorno. A maior propriedade em extensão pertence a parentes do ex-prefeito de Itacuruba,. Estivemos com um dos outros proprietários de terras na região (possui uma gleba de 130 ha), que nos informou já ter sido procurado pelo ex-prefeito interessado em comprar suas terras, como também de outros proprietários que teriam sido procurados para este fim.

Verifica-se nesta movimentação o interesse de tornar-se o único proprietário das terras, e  assim poderem ser negociadas, e muito bem indenizadas pelo governo federal, caso a usina nuclear seja implantada na região. Também para valorizá-las, o ex-prefeito na sua gestão, obteve recursos do Ministério da Integração Nacional/Codevasf para a implantação  e pavimentação de uma rodovia vicinal até estas terras, chegando bem próximo a fazenda Jatinã (local pré selecionado para a implantação da usina nuclear). Esta rodovia, um trecho da PE 422, atravessa terras da aldeia Pankará e comunidades quilombolas, Por exigência da comunidade indígena, licenças para esta rodovia nunca foram apresentadas, e as obras foram paradas. Os recursos públicos destinados para esta rodovia foram de R$ 13.488.205,55.

O discurso proferido por este político na defesa intransigente da usina nuclear, caminha no sentido que a usina trará impactos econômicos importantes para a região, e como consequência, o desenvolvimento e o progresso tão almejado pelos habitantes. Este discurso, recorrente, já que utilizou os mesmos argumentos quando prometeu e não cumpriu o Observatório de Itacuruba (http://www.debatesculturais.com.br/observatorio-de-itacuruba-uma-obra-inacabada/), aponta na geração de emprego e renda para a população. Todavia, esconde de fato o mero interesse pessoal, em detrimento ao da coletividade, que sofrerá os impactos e o estigma que esta construção trará aos moradores do seu entorno.

Em verdade, o que tem movido a defesa desta obra na região, por alguns que exerce grande influencia junto às populações pelo fato ocuparem (ou já ocuparam) cargos públicos na política local, são os benefícios financeiros que receberão com a implantação desta obra.

Esta situação se verifica quando defensores do modelo predatório de desenvolvimento em curso no Estado, com obras como da instalação de uma indústria de petróleo e gás, termoelétricas a combustíveis fósseis, construção de estaleiros, de indústrias altamente poluentes no Complexo de Suape; locupletam-se financeiramente.  Afinal é tudo por dinheiro.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Que Deus converta os evangélicos em políticos

br_todos-contra-a-politica-na-igrejaNão quero falar de conversão tradicional, daquela pela qual passou o apóstolo Paulo.  Para ser sincero, não sou a pessoa mais bem indicada. Porém, com relação à convenção política, sem cabotinismo, posso sim, porque passei e sou um intransigente defensor dela.
Sei que estou mexendo num vespeiro, mas, sinceramente, não estou nem aí. Sendo mais sincero ainda, gostaria que algum deles viesse responder aos meus questionamentos. Quase todos não têm  moral política e, dessa forma, são ruins para a Política.
O líder do governo, Astério Moreira (PEN), vive repetindo uma frase que agride a minha inteligência. Fala em crítica construtiva. Critica é crítica, pouco ou nada importando se ela é isso ou aquilo outro. Quem concebe e pratica a democracia sabe do que estou falando. Mas isso se dá no campo do intelecto, mas já embute traços marcantes de mau-caratismo que tomou conta do parlamento acreano.
As únicas experiências exitosas onde Estado e religião caminharam juntos foi nos governos do Rei Davi e de seu filho, Salomão. No mais, principalmente depois da imprescindível contribuição das civilizações grega e romana, o mundo testemunhou equívocos e horrores praticados por essa fusão.
Fazendo um corte brusco na história, vindo para a América Latina (Brasil e Acre, especificamente), houve, na década de 70, um fato que iria marcar a vida dos acreanos: a chegada do recém-sagrado bispo Dom Moacir Grecchi. Ele era adepto da Teologia da Libertação, uma corrente teológica que englobava diversas teologias cristãs desenvolvidas no Terceiro Mundo, baseadas na opção preferencial pelos pobres, contra as desigualdades e pela libertação.
O sacerdote chegou no exato momento em que se matava a floresta, os índios e posseiros numa frenética busca por lucros. As Comunidades Eclesiais de Base, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão pastoral da Terra (CPT)  encontraram campo fértil para as suas atuações.
As atrocidades eram tamanhas que o bispo chegou a suspender a eucaristia, protesto esse que enfureceu as classes conservadoras. A organização sindical comunitária, a sindical e a conseqüente política voltadas para os desvalidos fincou as suas bases para os avanços sociais vistos hoje. Dom Moacir foi ameaçado de morte inúmeras vezes, fato que jamais o fez desistir de seus ideais. Wilson Pinheiro, Chico Mendes, Marina Silva, Manoel Pacífico foram formados na Igreja Católica.
Os evangélicos, por sua vez, influenciados incisivamente pela Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, livro do escritor Max Weber, vêem a política como algo nefasto e demoníaco ou fazem uso dela para servir aos seus próprios interesses. Antony Garotinho, o Casal Hernandez e a Igreja Universal do Reino de Deus são os exemplos mais notórios.
No Acre, além de conservadores e mantenedores do status quo, esse grupo social ocupa cada vez mais espaços na vida pública. Gradativamente vem ocupando cadeiras no parlamento e já pensa até em chegar ao Executivo. A Marcha para Jesus (ou para o ego de alguns) é uma demonstração de força e poder de mobilização.
Essa união, no entanto, é só aparente, principalmente depois do advento da “visão celular”, que fez as igrejas crescerem vertiginosamente. A luta por adeptos e posição social também cresceram nas mesmas proporções. Sem uma proposta política clara para defender na sociedade, alguns de seus membros enveredam pelo discurso moralista sem nexo com a realidade. Parafraseando o pensador Karl Marx: pastores de todas as denominações voltem para as “suas igrejas”.
Tribuna do Juruá – Jorge Natal

Os povos do mundo resistem

“O que acontece no Oriente Médio, para incautos, nunca acontecerá neste lado do Sul Global. E os palestinos, somos os terroristas, radicais e fundamentalistas por estarmos deste lado de cá, alertando para mais um  assalto de atores que conhecemos muito bem, os responsáveis com “nome e sobrenome” deste crime lesa-humanidade, de que essa estratégia contra as nações indígenas e demais povos das florestas é aquela idêntica que tem exterminado milhares e milhares de palestinos, iraquianos, afegãos, libaneses, sírios, africanos entre outros “parentes”. Diz o provérbio beduíno: “No deserto a verdade é a melhor camuflagem, porque ninguém acredita nela!”  
 Amyra El Khalili

Os povos do mundo fartaram-se de assistir à elite ocidental reinante que age como terroristas que capturaram toda a humanidade como seus reféns. Essa elite não governa só o terrorismo militarista. Eles praticam terrorismo econômico, social, ecológico, com seu sistema capitalista arruinado de roubar e correr. Esse sistema alcançou seu ponto de colapso e por isso nós estamos sendo empurrados para tantas guerras – para que aquelas elites e seus fantoches políticos possam se apropriar dos últimos recursos. A solução que resta para pôr fim às guerras, é o povo derrubar o sistema econômico que os EUA e a elite ocidental ainda comandam. 

 Tradução: Vila Vudu [mailto:vila.vudu@gmail.com]


A Síria é o coração da resistência
Finian Cunningham, Information Clearing House


Os EUA estão expostos aos olhos do mundo inteiro como a ameaça terrorista número 1 que pesa sobre o futuro da humanidade. Muitos sabem disso há muito tempo, mas agora já está universalmente claro.

Com os EUA preparando-se para lançar guerra aberta contra a Síria (a guerra clandestina já varre o país há 30 meses), a vasta maioria da humanidade pode afinal ver por através das décadas de falsidade e autopromoção como modelo mundial de democracia e da lei internacional. O que o mundo vê é o feio oposto disso tudo. 

Os EUA são estado terrorista que tem o mais profundo desprezo pela lei internacional, a democracia e os direitos humanos. Está outra vez pronto a matar incontáveis civis em nome de suas ambições políticas egoístas e autocentradas. Essa é a definição convencionada de “terrorismo”.

O presidente Bashar al-Assad da Síria disse verdade profunda recentemente, quando disse que seu país enfrenta agressão por mais de dois anos, mas só agora o real inimigo mostrou a própria cara – os EUA e seus seguidores servis. Mas o estado terrorista dos EUA não se deixa ver afinal só contra a Síria. Está-se revelando como inimigo do mundo todo.

Desde as guerras passadas no Caribe, América Central, Filipinas, Vietnã e Indochina, mediante golpes e operações clandestinas no Irã, Iraque, África, aos recentes campos de matança no Afeganistão, Iêmen, Paquistão e Somália, o quadro histórico agora está completo. Todos esses conflitos e muitos outros – numerosos demais para listar aqui – integram-se numa só verdade indiscutível. Os EUA são o maior estado terrorista do mundo. Se não for contestado definitivamente, então o futuro do mundo está hoje em perigo, mais do que nunca.

Em crimes de agressão anteriores, a elite governante dos EUA podia invocar a cobertura espúria de uma “coalizão de vontades”, ou violentava a autoridade da ONU ou da OTAN. Conseguia seus objetivos mediante uso abundante de mentiras, invencionices e de uma gigantesca máquina de imprensa-empresa para dar credibilidade à mendacidade. 

Dessa vez, graças a uma imprensa alternativa e crítica e às comunicações globais instantâneas, as mentiras norte-americanas já não funcionaram. Foram expostos em apenas alguns dias, como foi exposta também, nas últimas poucas horas a tentativa do secretário de Estado Kerry de envolver a Síria no crime das armas químicas. 

New York Times, a BBC e os falastrões de sempre na imprensa-empresa ocidental a serviço da propaganda imperialista cuidaram de facilitar o golpe de Kerry e o terrorismo de estado dos EUA com manchetes bombásticas: “Kerry apresenta provas contra a Síria”. Nenhuma crítica, nenhuma pergunta, por mais que tantos tivessem tantas críticas e tantas perguntas, com muita substância. 

Há alguns anos, esse tipo de pensamento de manada teria bastado para dar aos cães de guerra norte-americanos tempo suficiente para iniciar uma guerra. Hoje, não mais. Em apenas alguns minutos depois da suposta condenação definitiva inventada por Kerry, declarações, artigos, tweets e blogs já haviam desmascarado a encenação e mostravam que, exceto pela repercussão na mídia ocidental, Kerry nada tinha a dizer e nada dizia, que se aproveitasse. Mais uma risível repetição das hipérboles de antes e retórica oca. Ou, pelo nome que merece: só mais mentiras.

O povo do mundo já alcançou nível de massa crítica de rejeição contra os estados bandidos de EUA, Grã-Bretanha, França, Israel e mais alguns cúmplices. Vimos seus intermináveis assassinatos em massa e exploração de homens e mulheres na Ásia, África e nas Américas. Somos testemunhas de como esse mínimo grupo de estados terroristas impõem à vasta maioria da humanidade sua criminalidade vil e no processo nos insultam com mentiras e justificativas grotescas. Vimos como esses estados bandidos roubaram terras, envenenaram águas, queimaram colheitas, destruíram moradias, assassinaram famílias inteiras com drones aéreos e drones em terra, na forma de esquadrões da morte. Cometeram todos esses crimes horríveis com mentiras e impunidade, a ponto de esses estados terroristas já operarem agora simultaneamente em mais de um país, em estado de guerra permanente e ininterrupta, levando o próprio futuro da humanidade à beira do abismo.

Pois ainda assim, apesar do gangsterismo e de não haver lei que os proteja, os povos do mundo levantam-se e resistem.

Essa semana, o Parlamento britânico votou contra a arrogância do governo de Londres e não lhe permitiu continuar na relação criminosa de sempre com os norte-americanos. Na execução de crimes de guerra passados, no Afeganistão, Iraque e Líbia – para citar só esses – Washington sempre contou com os imperialistas britânicos para dar aos seus crimes um verniz de “coalizão de vontades”. Os planos do premiê britânico David Cameron de repetir o crime e apoiar Washington no bombardeio à Síria sofreram duro revés do Parlamento britânico, que não o autorizou a fazer o que tantas vezes antes os britânicos fizeram. Cameron foi forçado a recuar. 

A votação no Parlamento britânico não é sinal de ética dos políticos britânicos. É, muito mais, reflexo do despertar global dos cidadãos do mundo, que afinal decidem que esse terrorismo de estado insano tem de acabar.

O governo francês também recuou das bravatas belicistas de antes, e o presidente François Hollande já fala também de “solução pacífica, política, para a crise síria”. Até o primeiro-ministro fantoche Stephen Harper, do Canadá, aliado sempre confiável de Washington, já disse que seu país não se envolverá militarmente na Síria. E há notícias de que 10 membros da aliança da OTAN – um terço do total – não apoiarão os ataques dos norte-americanos. Vários desses sempre foram tradicionais serviçais dos EUA. E, isso, sem falar dos opositores mais estridentes, como Rússia, China, Irã e a maioria das nações de Ásia, África e das Américas.

Os povos do mundo fartaram-se de assistir à elite ocidental reinante que age como terroristas que capturaram toda a humanidade como seus reféns. Essa elite não governa só o terrorismo militarista. Eles praticam terrorismo econômico, social, ecológico, com seu sistema capitalista arruinado de roubar e correr. Esse sistema alcançou seu ponto de colapso e por isso nós estamos sendo empurrados para tantas guerras – para que aquelas elites e seus fantoches políticos possam se apropriar dos últimos recursos. A solução que resta para pôr fim às guerras, é o povo derrubar o sistema econômico que os EUA e a elite ocidental ainda comandam. 

A criminalidade insana dos governantes dos EUA contra a Síria está deixando aí, à vista de todos, esse desafio histórico que toda a humanidade terá de enfrentar.

Depois da derrota parlamentar do governo Cameron na Grã-Bretanha, o secretário de Defesa dos EUA Chuck Hagel disse que “Nossa abordagem é continuar a buscar uma coalizão internacional que agirá em conjunto. É o objetivo do presidente Obama e de nosso governo... Seja qual for a decisão, que seja colaboração e esforço internacional.” 

Quase nem se acredita que esses fantoches norte-americanos possam soar tão ridículos! Esses norte-americanos iludidos parecem não estar vendo que estão sós. 

As únicas ‘vontades’ interessadas em apoiar a agressão dos EUA à Síria são Arábia Saudita e Israel. Só isso. Washington só conta hoje com as ‘vontades’ de um regime feudal, de degoladores, e de um regime criminoso genocida pária. Coalizão de vontades? Parece mais coalizão de assassinos.

Manchas de Vergonha

Egon Heck *
A Anistia Internacional vem acompanhando com preocupação a realidade dos Povos Indígenas no Brasil e particularmente no Mato Grosso do Sul. Foi no intuito de ver e sentir a atual situação desses povos que uma delegação coordenada por Salil Shetty esteve no acampamento da Teko'á wirixa (Xamã) Damiana, próximo a Dourados, na beira da BR 463.
Uma "mancha de vergonha", conforme expressou o representante da Anistia. Ali onde a cana e a soja se encontram, onde casebres Kaiowá Guarani estão espremidos entre a cerca e o asfalto, talvez seja a mais contundente imagem da discriminação, racismo e genocídio em curso contra comunidades desse povo.
A alta velocidade com que os veículos passam no local, sem nenhuma sinalização, fazendo frequentes vítimas, manchando de sangue asfalto e terra, é mais um trágico símbolo da violência estrutural ali implantada. Somente neste acampamento ocorreu a morte de 5 pessoas da mesma família, por atropelamento.
A delegação acompanhada de várias lideranças indígenas da região e aliados, foi também, em silenciosa indignação, prestar sua homenagem às vítimas, especialmente crianças, mortas nos últimos anos, sem que até hoje nada tenha sido feito para punir responsáveis ou evitar a continuidade da tragédia. As cruzes na beira de um riacho, num resto de mata, tem que ser colocadas e visitadas às escondidas, pois os donos do agronegócio na região querem impedir a todo custo o sepultamento das vítimas neste local. E narra a Xamã Damiana que viu o corpo de sua tia, ser arrancado por uma escavadeira a mando dos mesmos.
Não é apenas mais uma delegação a constatar a violência, contra os direitos humanos e étnicos de uma comunidade Kaiowá Guarani, é mais um grito de alerta internacional contra as "manchas de vergonha" espalhadas pelo Mato Grosso do Sul.
Dia Mundial dos Povos Indígenas

Por ocasião do dia mundial dos Povos Indígenas instituído pela ONU em dezembro de 1994, houve inúmeras manifestações, denúncias e protestos pelo mundo afora.
A Coordenação Andina dos Povos Indígenas (CAOI) divulgou uma carta na qual chama atenção dos Estados nacionais e sociedade sobre o continuado desrespeito dos direitos dos povos indígenas, apesar de serem signatários de várias leis, normas e convenções que garantem o direito desses povos especialmente a seus território e recursos naturais, liberdade e paz.
Concluem se pronunciando "contra a perseguição judicial e todas as demais formas de criminalização do movimento indígena de Abya Yala como estratégia de intimidação aos líderes indígenas e contra a liberdade de expressão e direito de protestar que os povos originários temos tido como única estratégia de visibilizarão de nossos direitos".
Em Roraima em torno de 500 indígenas marcharam pelas ruas da capital Boa Vista, protestando contra a violação de seus direitos, entregando documento em várias repartições públicas. No documento denunciam as diversas ações em curso contra os direitos indígenas nos três poderes. Concluem conclamando "O Estado de Roraima deve aprender e trabalhar com a realidade local e adequar o plano de desenvolvimento a partir dos direitos indígenas. Com nossa Marcha no Dia Internacional dos Povos Indígenas, chamamos atenção das nossas autoridades públicas para a grave situação dos direitos dos povos indígenas em Roraima para reverter esse quadro negativo, pela Justiça e Dignidade."
Mesa de diálogo ou de enrolação
Frustração. Esse foi novamente o sentimento entre os mais de 40 mil Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. O governo, através de seus ministros havia prometido uma solução definitiva para a grave situação das terras indígenas desse povo e dos Terena. A reunião que deveria definir a proposta foi protelada do dia 5 para o dia 7, sem qualquer proposta concreta de solução, além de uma saída de duvidosa execução, para a Terra Indígena Buriti, onde foi assassinado pela polícia a liderança Terena Oziel.
Os Kaiowá Guarani honraram sua palavra e não retornaram a nenhum território tradicional, originário, neste período. Já o governo, através da "mesa de diálogo" apenas gerou mais uma profunda decepção e total descrédito quanto às soluções infinitamente adiadas.
Com nosso grande profeta e poeta Dom Pedro nos colocamos na sintonia da esperarnça e tranformação
Oração da causa indígena
Pai-Mãe da Terra e da Vida,
Deus Tupã de nossos pais e mães,
Venerado nas selvas e nos rios,
No silêncio da lua e no grito do sol:
Pelos altares e pelas vidas destruídas
Em teu nome, profanado,
Nesta nossa Abia Yala colonizada,
Te pedimos que fortaleças
A luta e a esperança dos povos indígenas
Na reconquista de suas terras,
Na vivência da prória cultura,
Na fruição da autonomia livre.
E dá-nos (a nós neocolonizaores)
Vergonha na cara e o amor no coração
Para respeitarmaos esses povos-raiz
E para comungar com eles em plural Eucaristia
Awere, Amém, Aleluia
(Dom Pedro Casaldáliga)
* Egon Heck Povo Guarani Grande Povo - Cimi, Brasília