quinta-feira, 21 de junho de 2012

Senhoras e senhores, as cortinas se (re)abriram


Se estava óbvio, não sei, mas que agora está. Disso tenho certeza. Todo mundo entendeu hoje, após o lançamento do DOSSIE ACRE, que o teatro da economia verde acreana, protagonizada pelo Governo do Estado, ONGs e seus financiadores está definitivamente com as cortinas (re) abertas. Agora, os atores principais precisam assumir os papéis de verdadeiros protagonistas, não da peça cujo roteiro tem sido manipulado, mas da peça que não só narra mas constrói  a história.

Agora o Acre, o Brasil e o mundo já podem ver claramente (e entender) como o roteiro está sendo manipulado, não pelos atores, mas por quem não consegue fazer o papel menor que, aliás, lhe cai muito melhor, e prefere mudar o roteiro para melhor se enquadrar no papel principal. Ninguém põe a mão na roda da história impunemente, mas há aqueles que ainda pensam poder manipular a própria roda da historia e montar uma peça ao estilo grego antigo onde os atores, somente homens, se apresentavam também travestidos, justamente por pretenderem esconder e se apropriar de todos os papeis e os adequarem simplesmente.

Primeiro na forma on-line, no inicio da semana, depois, diante de olhares incrédulos, boquiabertos e nitidamente constrangidos dos que interpretavam mais um ato: O programa de Governo intitulado Faça do Acre a sua floresta. E, finalmente na rua, lugar mais próprio e com aplausos (ai sim) de pé e não por qualquer um, mas pelo povo que ocupou a avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, durante mais uma marcha contra a economia verde, foi lançado o Dossiê Acre.

O Dossiê não só (re)abre as cortinas, mas coloca luzes sobre as sombras e mais VERDE sobre as CINZAS resultantes dos manejos e explorações insustentáveis para a humanidade mas que sustentam a sanha do capital que se atrela a desejos de poder para continuar se reproduzindo e cada vez mais concentrado em pouquíssimas mãos.

Agora, com algumas dessas luzes lançadas sobre o palco pelo Dossiê, muitos, se não se tornarem críticos da representação, pelo menos não poderão dizer que não estão entendendo o enredo da peça. É preciso, antes de qualquer coisa, que o público, plateia, pelo menos comece a interagir, vaiando ou se recusando a apenas assistir.

Os enredos estão postos, os atores são conhecidos, a peca continuará sendo apresentada em vários atos. Mas, definitivamente, Senhoras e Senhores, as cortinas se (re)abriram!

domingo, 17 de junho de 2012

DO$$IE ACRE

Lan;ado hoje, na Rio + 20, C[upula dos povos e Acampamento Terra Livre, o DO$$IE ACRE cai como uma bomba sobre a cabe;a dos farsantes da economia verde (cinza) do Acre. Veja no link



Uma bomba que fará um grande bem!

O presente dossiê traz contundentes detalhes da vida dentro das florestas acrianas, das represálias que seus moradores sofrem por parte de órgãos ambientais, do sofrimento de comunidades indígenas, quase impotentes para denunciar a invasão de suas terras e os descasos nas áreas de saúde e de educação nas suas comunidades.



Clique aqui e tenha acesso ao Do$$iê Acre.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CIMI LANÇA O RELATÓRIO DE VIOLÊNCIA REFERENTE A 2011



O CIMI lançou hoje, dia 13 de junho, o relatório de violência contra os povos indígenas. Com uma mesa composta por D. Leonardo, Secretário Geral da CNBB, D. Erwin, presidente do Cimi, Lúcia Helena  Hangel, antropóloga e organizadora do relatório, Nailton Pataxo Hã hã hãe e Jader Marubo, o relatório foi apresentado, analisado e as lideranças falaram da realidade vivida pelos povos indígenas no Brasil.

D. Leonardo, já no início de sua fala lembrou que estávamos no salão que levava o nome de D. Helder Câmara, incansável defensor dos menos favorecidos e expropriados. "A sensação que temos é de que ao invés de  diminuir, a violência contra os povos indígenas está aumentando."

Prof. Lúcia, D. Leonardo, D. Erwin, Nailton Pataxó, Jader Marubo e Cleber Buztto
Para D. Erwin, a demarcação das terras indígenas é essencial para os povos indígenas. "que este livro não fique na estante mas seja divulgado para que os culpados por este descalábro sejam devidamente punidos". "acusamos mais uma vez os governos, de não cumprirem a constituição. Não estamos inventando leis, estamos cobrando o cumprimento da Constituição Federal" acrescentou. O presidente do Cimi lembrou ainda que também hoje iniciou em Altamira o encintro Xingú + 23, em alusão aos 23 anos de luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingú.

Ao final, também o Deputado Federal por Rondônia, Padre Tom, assumiu que é do governo, uma vez que ele é do PT, mas reconhece que a presidente Dilma não está cumprindo a Constituição Federal.

O relatório apresenta um quadro assustador de violências, as mais variadas, contra os povos indígenas. Chamou a atenção a violência sexual, especialmente porque dos 17 casos registrados, com 39 vítimas, todas do sexo feminino, 12 foram contra menores. No Amazonas, em um dos casos, 15 meninas (mulheres) foram vítimas. Conforme denúncia da Funai, dezenas de índias da cidade de Autazes,dezenas de índias estão sendo aliciadas e estupradas por clientes da Wet-A-Line Tours. A empresa promove turismo sexual com índias da região. Além de outros casos igualmente repugnantes.

Leia na íntegra http://www.cimi.org.br/pub/CNBB/Relat.pdf

Caos na Educação Escolar Indígena - apuração(punição) urgente

Escolas caindo, professores indígenas sendo demitidos em massa, fechamento de escolas em aldeias, desvio dos recursos da educação indígena que vão para ralos nas prefeituras e  secretarias de educação de estados, cooptação de professores, o mato tomando conta de escolas, escolas transformadas em carcaças, deterioradas sem serem concluídas, educação escolar indígena em situação caótica,Conselheiros distritais funcionários públicos sem compromisso com  a comunidade, saque dos recursos, nepotismo, descaso, abandono, criminalização dos saberes indígenas, chantagem para com os professores indígenas...Todas essas expressões relatadas na oficina  sobre educação escolar indígena realizado no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia neste início de junho. Participaram membros de todo país. No mesmo sentido foram as denúncias levadas ao MEC por delegações indígenas que estiveram em Brasília ultimamente.
Uma delegação de representantes de 6 povos do Acre, trouxeram denúncias ao MEC a calamitosa situação das escolas, mostrando, inclusive uma sala de aula em que os alunos estavam de guarda chuva para não se molharem. Além disso as comunidades mais distantes sequer escola tem.
Com essas denúncias, tanto as delegações indígenas quanto os participantes da oficina sobre a educação escolar indígena, pedem urgente apuração dessa grave situação, e que se chegue à punição dos responsáveis.

Presidente Dilma assina
Quando a presidente Dilma, por ocasião da Rio+ 20 estiver assinando o Projeto de Resolução das Diretrizes Curriculares para a Educação Escolar Indígena,  estará colocando mais um remendo na caótica situação do ensino nas terras indígenas, realizado através das 2.819 escolas indígenas existentes entre os 240 povos indígenas no Brasil.
Todo esforço empreendido pelo Ministério da Educação para construir uma educação diferenciada, específica e de qualidade para os povos indígenas será em vão caso não se construir um sistema de educação escolar que tenha autonomia e efetiva participação das comunidades indígenas em todos os níveis.
De pouco adianta o esforço de alguns que se esmeram em construir belos castelos de leis, que na prática esbarram nas estruturas de poder e interesses contrários ao reconhecimento dos povos indígenas. Ou ainda a  imposição de modelos, como o dos distritos etnoeducacionais sem a devida participação do movimento indígena.
Egon Heck
Cimi 40 anos , Brasília 12 de junho de 2012

BLOG DO EGON: UM QUE VALE A PENA

Tenho o prazer de apresentar e indicar aos leitores e leitoras deste modesto blog o  blog do Egon 

Egon Heck


Um blog tambem simples mas profundo e resultado de anos de militância junto aos povos indígenas e nos movimentos sociais. Vale a pena acessar o Blog. Quem gosta de boa leitura e não dispensa imagens únicas, ao visitar o Blog se sentirá realizado.

Poucos são os espaços realmente sérios de debates de idéias e apresentação de temas realmente relevantes para o país e para o mundo.

Valeu Egon por nos possibilitar e nos brindar com seu blog.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CIMI REALIZA OFICINA SOBRE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

O Conselho Indigenista Missionário - Cimi, realizou nesta segunda-feira uma oficina sobre Educação Escolar Indígena. Já na apresentação da conjuntura da educação nacional se constatou que os povos indígenas vivem umcaos em relação à assistência na área da Educação Escolar. O caos vai desde o abandono dos prédios, passando pela absoluta ausência de formação adequada e falta de acompanhamento pedagíco, tudo naturalmente sem respeitar as especificidades dos diferentes povos, sem ouví-los e com gastos exorbitantes, não justificáveis.
Emilia Altini
A oficina contou com representantes de todos os regionais e foi asseessorada por Emilia Altini, representante da entidade no CNEEI - Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. O caos constatado reflete o processo de manipulação da educação escolar por ONGs e governos e remete a uma necessidade de que medidas sejam tomadas emediatamente afim de evitar danos ainda maiores aos povos indígenas.

Dois Estados foram apontados como os piores na assistência a educação escolar indígenas. São eles: o Maranhão e o Estado do Acre, onde basicamente não se tem conselhos adequadamente constituidos e que funcionem, gerando dúvidas sobre a aplicação dos recursos, apesar do caos ser generalizado pelo Brasil.

Os debates ocorrerão ainda durante a semana e ao final haverá um pronunciamento da entidade sobre as políticas de assistência à Educação Escolar Indígena.

domingo, 10 de junho de 2012

Os Enawenê-Nawê: o que a Globo não disse

Numa produção milionária, com belíssimas imagens, a emissora global levou ao ar, logo depois do dia mundial do meio ambiente e no ambiente da Rio+20, o programa com a reportagem sobre os  Enawenê-Nawê. No Centro de Formação Vicente Cañas, um grupo de missionários do Cimi assistiu o programa. Parte deles está realizando um encontro sobre os mais de 70 grupos indígenas em situação de isolamento voluntário (os "isolados") que fogem do contato de morte, das violências e das doenças.

Eles têm acompanhado a caminhada dos membros do Cimi junto a grupos contatados a partir da década de 1970, como foi o caso dos Enawenê-Nawê, Myky e Suruahã. Conforme o missionário Francisco Loebens, que participou dos primeiros contatos com os Suruahã, "o governo procura insensibilizar os grupos isolados até aprovar suas grandes obras, como aconteceu com a construção das hidrelétricas de Girau e Santo Antonio, no rio Madeira. Outra situação acintosa é a dos Awá-Guajá, no Maranhão. Quase duas centenas de serrarias atuam dentro da terra desse povo, com impactos de violências e ameaças de extermínio do grupo, sob a omissão dos governantes, em todos os níveis". A entidade Survival International está realizando uma ampla campanha de denúncia dessa situação, exigindo providências urgentes para evitar o genocídio desse povo.

Não poderíamos deixar de manifestar nossa admiração pela realidade tão rica em cultura, símbolos, arte, sabedoria, que boa parte de brasileiros agora conhece dos Enawenê-Nawê. É sem dúvida uma contribuição para a humanidade, e principalmente aos governantes cegados pelo sistema da acumulação, destruição da natureza, mercantilizarão da vida e consumismo absurdo.

Pena que muitas questões não foram ao ar, como a grande pressão e invasão das madeireiras da região, que criminosamente tem retirado madeira do território dos Enawenê-Nawê.

Quando, como secretário do Cimi, com o coordenador regional Mato Grosso e outro missionário, fomos, em maio de 1987, fazer uma visita ao companheiro Vicente Cañas e aos Enawenê, encontramos o corpo de Vicente, mumificado, com sinal de perfurações e afundamento craniano. Já se passavam 40 dias de seu cruel assassinato. O seu silêncio foi interpretado por seus amigos como participação no ritual da pesca, que se desenvolve durante meses. O que mais indigna é a impunidade que paira até hoje. Um julgamento de três dos acusados de participação no assassinato acabou acontecendo em Cuiabá, depois de 20 anos, sem condenação dos acusados.

Os Enawenê denunciaram a preocupante e humilhante diminuição dos peixes em função da construção de dezenas de pequenas hidrelétricas no curso do rio Juruena. Além disso, por ocasião da definição dos limites do território desse povo, o governo deixou de fora um dos mais importantes rios, o Rio Preto. Por que até hoje não se reviu essa grave violação aos direitos dos Enawenê?

Fonte da notícia: Egon Heck