sexta-feira, 19 de abril de 2013

ABRIL INDÍGENA 2013: exposição fotográfica de Patrícia Ferreira

Começou no dia 08 de abril e vai até o dia 27 Uma belíssima exposição fotográfica de Patrícia Ferreira sobre a participação indígena nos eventos do ABRIL INDÍGENA. A exposição está ocorrendo no MEMORIAL DOS AUTONOMISTAS simultaneamente à exposição na UFSCar, em São Paulo.

O material é muito rico e, seguramente contribuirá para desmistificar muito do que é propagandeado pelo governo sobre a realidade indígena vivida no Estado do Acre. No mês dos povos indígenas, através desta exposição, Patrícia Ferreira mostra, sem rodeios, que é mê de luta para os povos indígenas.

Participe, leve seus alunos para prestigiar!

Nota pública das lideranças presentes no Abril Indígena em repúdio a presidenta Dilma Rousseff

Abril indígena 2013 foto: CIMI

Desde que assumiu a presidência, em 2011, Dilma Rousseff tem se negado a dialogar com o movimento indígena. Durante esta semana, em mobilizações legítimas de nossos povos reunidos no Abril Indígena – 2013, fomos recebidos pelos presidentes da Câmara dos Deputados (Legislativo) e do STF (Judiciário). A presidenta Dilma se negou a falar conosco ou marcar audiência para os próximos dias. Por quê?

Nesta quinta-feira, 18 de abril, estivemos no Palácio do Planalto. Protestamos porque nossos parentes estão sendo assassinados, porque nossas terras não são demarcadas. Pedimos uma audiência com Dilma, mas o máximo que nos ofereceram foi uma conversa com o ministro Gilberto Carvalho e um encontro com os demais ministros nesta sexta-feira, 19 de abril, Dia do Índio, para o governo ter a foto para suas propagandas de que é preocupado com as questões dos índios.

Não, não queremos mais falar com quem não resolve nada! Há dois anos entregamos, nós povos indígenas, durante o Acampamento Terra Livre 2011, uma pauta de reivindicações para esses ministros e nada foi encaminhado. De lá para cá perdemos as contas de quantas vezes em que Dilma esteve com latifundiários, empreiteiras, mineradores, a turma das hidrelétricas. Fez portarias e decretos para beneficiá-los e quase não demarcou e homologou terras tradicionais nossas. Deixou sua base no Congresso Nacional entregar comissões importantes para os ruralistas e seus aliados.

A gente não negociou nada durante os protestos no Palácio do Planalto. Queríamos dizer o que nos angustia e preocupa; queríamos dizer isso para a presidenta. Dilma está aliada de quem nos mata, rouba nossas terras, nos desrespeita e pouco se importa para o que diz a Constituição. Quando Dilma não diz nada diante de tudo o que vem acontecendo – mortes, PEC 215, PL 1610 – e ainda baixa o decreto 7957/2013 e permite a AGU fazer a Portaria 303, Dilma mostra de que lado está e sua expressão anti-indígena.    

Luziânia, Goiás, 19 de abril de 2013

Povos indígenas reunidos no Abril Indígena - 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ABRIL INDÍGENA 2013 - Pelo direito à vida


MANIFESTO EM DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS. 

O grito dos povos indígenas ecoa mundo afora, mostrando a resistência e força nestes 513 anos de colonização, agora com formas modernas de opressão e outras que já são conhecidas, como a visão dos dominadores de que os povos indígenas são seres inferiores, não produzem, mantêm hábitos primitivos, atrapalhando o “desenvolvimento”. 

A iniciativa voltada para o mercado internacional atende a expectativa de poderosas corporações econômicas, como: transnacionais nas áreas da mineração, de petróleo e gás, de monocultivos da soja, da cana de açúcar, da pecuária, exploração madeireira e demais recursos naturais. Também se beneficiam as grandes empresas construtoras, que doam generosas quantias em dinheiro para abastecer os caixas de campanha eleitoral dos partidos políticos, com a certeza de que receberão tudo de volta, em dobro, que divulgam na mídia, a mentalidade de que “o índio atrapalha ao progresso”, negando a existência e riqueza destas culturas milenares. 

Segundo os dados do CIMI, em Rondônia habitam mais de 55 povos indígenas, sem mencionar os mais de 15 povos que vivem em situação de isolamento e risco de extinção, com apenas 20 terras demarcadas. A maioria dos povos indígenas de Rondônia questionam à Funai com relação aos limites de seus territórios, pois muitos lugares considerados por eles sagrados (cemitérios, pomares, cachoeiras, antigas malocas, roçados, etc), ficaram fora da demarcação oficial ou estão nas mãos de fazendeiros e outros grupos econômicos. 

As terras indígenas do Estado de Rondônia, mesmo algumas estando regularizadas, encontram-se invadidas por alguns dos empreendimentos acima mencionados. Sem uma presença forte do estado, estes territórios se tornam presas fáceis, nas mãos de grupos econômicos e especuladores, pois as ações das instituições responsáveis por desenvolver a fiscalização e a proteção, as tem desenvolvido esporadicamente. 

Nos últimos governos, constatou-se a falta de vontade política, para que os programas e projetos que beneficiam as comunidades indígenas sejam efetivamente executados. Tal fato estimula a cobiça de segmentos econômicos e políticos que ambicionam a exploração das terras indígenas e seus recursos ambientais, hídricos e minerais. O desenvolvimentismo proposto pelo governo visa essencialmente fortalecer o poder econômico independentemente dos povos, culturas, pessoas e do meio ambiente. As ações projetadas no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o agronegócio que avança fortemente no estado de Rondônia, os projetos de emenda constitucionais e projetos de leis que legalizam a invasão dos territórios indígenas por grandes corporações, como é o caso do Complexo Hidrelétrico do Madeira, da PEC 215, o PL 1610, Portaria 303/2012 da AGU e outros tantos projetos que decretam a invasão dos territórios indígenas e os constantes preconceitos e discriminação destes povos. 

O extermínio dos povos indígenas continua através do confinamento de povos e comunidades em terras insuficientes; da morosidade do governo na condução dos procedimentos de demarcação das terras, do descaso nas áreas de saúde e educação; da omissão do poder público diante das agressões cotidianas, da invasão de terras por madeireiros, grileiros, fazendeiros, das violências sistemáticas praticadas contra indígenas. Estas ameaças contra a vida desses povos não são, portanto, menores do que foram em outros tempos de nossa história. 

Acreditando na proposta do Bem Viver dos povos indígenas, que apresenta um paradigma civilizatório de respeito e harmonia entre ser humano e a mãe terra, possibilitando uma nova compreensão de mundo, que pode salvar a vida no planeta e garantir as gerações futuras, a possibilidade de “outro mundo possível”. A terra é sagrada para os povos indígenas, “tudo o que se fizer para a terra, será feito para os filhos da terra”. 

Diante de tal situação a igreja e o Conselho Indigenista Missionário, mantendo sua força profética vem a publico denunciar esta situação de negação e descumprimento da Constituição Federal, em relação aos direitos dos povos indígenas. Solidariza-se na defesa destes povos, que resistem a 513 anos, mantendo suas culturas, línguas e cosmovisão. 

Porto Velho, 12 de Abril de 2013. 

D. Bruno Pedron – Bispo Responsável pela Dimensão Missionária – CIMI. 

D. Esmeraldo Farias – Arcebispo de Porto Velho - RO 

Conselho Indigenista Missionário – CIMI/RO.

Abril Indígena 2013: e ainda tem político que fala em democracia...


O Jornalista da Revista Porantim - CIMI Renato Santana, também é agredido com Taiezer (arma de choques), murros e pontapés por seguranças da Plenária dos Deputados, no momento em que os povos indígenas faziam sua manifestação dentro da Câmara de Deputados, essa ação dos seguranças que incentivou a ocupação da Plenária pelos povos indígenas ...




Impossível deixar de publicar e denunciar uma barbaridade dessas. Ficou na cara que a imprensa honesta e comprometida com a verdade foi varrida dos salões luxuosos, regados a sangue de indígenas, negros e camponeses do antro, chamado Congresso Nacional.

Felicianos, Genuínos e Diceus, circulam por lá livremente enquanto tramam contra o povo, e ainda chamam a isso de democracia (o que é mais uma "demoniocracia"). Tramam contra o povo, exigem respeito mas fazem chacota e debocham de todos nós.

Impedir a imprensa de exercer seu papel é nos impedir de ter acesso à informação. Infelizmente somos sujeitos, ainda, a este tipo de repressão grotesca. Ainda somos um país nivelado por baixo, por causa de governantes medíocres e cínicos suficientes para, numa só porrada, humilhar os povos indígenas e seus apoiadores e ainda se dizerem democratas.
Foto retirada da página de Renato Santana

Não é a toa que projetos megalomaníacos, oriundos da ditadura militar, encontraram terreno fértil para se espalharem Brasil à fora, como Belo Monte, transposição do São Francisco, Exploração de petróleo na Amazônia, inúmeras hidrelétricas e centenas de projetos etnocidas e genocidas. O Brasil precisa ser denunciado às cortes internacionais por genocídio.

Meu caro Huhanô (Renato), creia que ações como esta contra você afirmam que sua posição como jornalista e como pessoa, em favor da verdade e da boa imprensa tem sido levada a cabo, para desespero dos fraudadores de notícias e fraudadores da democracia. Sim, a democracia cantada e decantada por essa gente que agride, mata e rouba as terras indígenas, É UMA FRAUDE!!

Minha solidariedade.

terça-feira, 16 de abril de 2013

AGORA!!!!!:Cerca de 700 indígenas ocupam Câmara dos Deputados


Cerca de 700 indígenas transferiram o Abril Indígena para uma ocupação na Câmara dos Deputados na Esplanada dos Ministérios no Distrito Federal nesta terça-feira (16). A decisão foi tomada pelos indígenas durante a audiência pública convocada pela frente parlamentar em defesa dos indígenas. As lideranças indígenas afirmam que só sairão do Congresso quando a Mesa Diretora da Câmara extinguir a comissão que tratará da PEC 215/2000 entre os parlamentares.
Foto: Wilson Dias
“Nós não aceitamos nenhum tipo de negociação ou diálogo referente à PEC 215. O que nós queremos é que a Comissão seja desfeita”, disse Sônia Guajajara, liderança da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) esteve presente na audiência pública depois de muita pressão do movimento indígena. Sobre a reivindicação dos povos indígenas, apenas disse que pediria aos líderes partidários que não indicassem representantes para a comissão da PEC 215 até que a situação fosse boa para todas as partes.
“Não, presidente, não aceitamos isso. Portanto, ficaremos aqui (em ocupação ao Congresso) por tempo indeterminado”.
Com informações do CIMI DF

Abril Indígena: “Está na hora de priorizarmos a luta pela terra”


Por Renato Santana - CIMI


Luziânia (GO), 15 de abril - Dispostos a enfrentar o que consideram uma das piores conjunturas de ataque aos direitos pela terra pós-Constituição de 1988, povos indígenas de todo o país iniciaram nesta segunda-feira, 15, o Abril Indígena 2013, que segue até sexta-feira, 19, Dia do Índio. Nesta terça-feira, 16, cerca de 500 indígenas estarão em audiência com a Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, a partir das 10h30, na Câmara dos Deputados.  

Lideranças, caciques, pajés, professores e professoras, vindos de comunidades às margens de rodovias, aldeias acossadas pelo agronegócio, retomadas à espera de demarcação, pretendem mais do que discutir problemas, mas reivindicar o que lhes é de direito, usurpado pela agenda política de grupos latifundiários, mineradores, madeireiros.

“Muitas vezes nos deixamos enganar por conversas de gabinete. Não podemos deixar isso acontecer, porque se a gente parar para ver o que o governo federal está fazendo é tão ruim quanto aquilo que os fazendeiros, a elite agrária, fazem com a gente”, destaca Ninawá Huni Kui (AC).

O Abril Indígena deste ano acontece num período de ofensiva da bancada ruralista no Congresso Nacional e país afora, além de medidas de exceção do Palácio do Planalto. Propostas de alterações constitucionaisreferentes ao direito pela terra, no Legislativo, e decreto de uso da Força Nacional contra comunidades que se opuserem à construção de grandes empreendimentos, no Executivo, 
hegemonizam a pauta de discussões e mobilizações dos indígenas. Sem o que comemorar numa semana destinada a eles, os povos pretendem mostrar ao país que resistem e estão vivos, para além do folclore e dos museus.


“Dos nossos últimos encontros nacionais, em que elaboramos cartas para as autoridades, nada melhorou, nada avançou. Acho que até piorou. Vivemos lamentando nossos mortos. Está na hora de priorizarmos de verdade a luta pela terra. Sem ela, não somos nada. Salário daqui e de lá não substitui, só divide. Na guerra temos de rir, não chorar. Agora não guerreamos mais entre nós, sabemos bem quem são nossos inimigos”, enfatiza cacique Babau Tupinambá, da  Serra do Padeiro (BA).  

Conforme a pauta definida pelos movimentos indígena e indigenista, a semana será dividida em discussões no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO), e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), para onde vão a partir desta terça-feira, 16, em atividades junto às Frentes Parlamentares de Defesa dos Povos Indígenas e de Direitos Humanos e Minorias, esta última criada em protesto contra a eleição do pastor Marco Feliciano (PSC/SP) para a presidência da comissão, entre outras atividades.

“Perdemos as margens de diálogo com os últimos episódios no congresso e no governo. O PL da CNPI (que criará o conselho no âmbito do que é hoje a Comissão Nacional de Política Indigenista) está prestes a sofrer um golpe, para não falar da PEC 215. A conjuntura é delicada”, declara o integrante da CNPI, cacique Marcos Xukuru (PE). Os povos indígenas do Nordeste sofrem com os grandes empreendimentos, caso da Transposição do Rio São Francisco, a seca agravada pela concentração de terras e a falta de demarcação de terras, caso dos Xukuru-Kariri, de Alagoas, que têm feito retomadas em áreas há décadas reivindicadas. Na Bahia, os Tupinambá seguem em constantes retomadas de áreas declaradas como indígenas, gerando conflitos e violência.  

“Os povos indígenas estão prestes a levar um golpe, um golpe do Estado. Precisamos pensar uma estratégia conjunta. As discussões são as mesmas sempre. Estão atrasando os grupos de trabalho, deixando de fazer os processos de demarcação. Então o governo decreta a PNGATI (Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas), mas rasga nossos territórios com empreendimentos, PECs. Não podemos aceitar isso e devemos ir para a luta”, declara o vice-cacique Marcelo Entre Serras Pankararu, do sertão pernambucano.

Delegações Guarani do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul trazem relatos de vidas fora da terra, às margens de rodovias, e em áreas retomadas no meio de fazendas de soja, cana e pasto. Durante o mês de março, o jovem Denílson Guarani Kaiowá foi assassinado por fazendeiro. Os indígenas retomaram a área, declarada como indígena, e na última semana a Justiça concedeu reintegração de posse para o fazendeiro, assassino confesso do indígena. Na última sexta-feira, um PM reformado invadiu um tekoha – lugar onde se é – e desferiu seis disparos de arma de fogo, acertando um indígena na cabeça. Para se defender, a comunidade o desarmou e o manteve seguro até a chegada da polícia. Levado ao hospital, o PM não resistiu e morreu a caminho do atendimento médico. O indígena atingido pelo disparo foi medicado e na sequência preso, acusado pelo homicídio.

“Toda morte é sempre ruim, mas os indígenas se defenderam. Ele (PM reformado) invadiu a aldeia armado e também já tinha histórico de agressão contra os indígenas. Tudo isso, porém, é resultado da demarcação incompleta da terra e da não retirada dos ocupantes não indígenas da terra indígena”, pontua o coordenador do Cimi Regional Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado. “Nossos territórios devem estar livres. A violência não é nossa, porque não é a gente que quer tirar direitos de ninguém. Apenas
queremos os nossos”, completa cacique Babau.   


Porém, além da insegurança jurídica e social deixada pela falta de complemento nos processo de demarcação, outros temas envolvem os povos indígenas. Um deles é a Portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU). Nela o órgão ‘orienta’ que as condicionantes da Terra Indígena Raposa Serra devem se estender a todo país. “A própria AGU questionou as tais condicionantes de Raposa Serra do Sol e no ano passado baixou a Portaria 303 dizendo que elas se estendem a todo país, isso sem essas tais condicionantes terem sido apreciadas pelo STF”, explica o secretário executivo do Cimi, Cleber Buzatto.  

Críticas também foram feitas aos dez anos de PT e aliados à frente do Palácio do Planalto. “Lula comia peixe assado com a gente. Ele dizia o que iria fazer por nós, era lindo. Lula se elegeu e os parentes cruzaram os braços, acreditando numa vitória para a gente. O resultado está aí: se aliou (Lula) com os capetas e nada aconteceu de bom para a gente. Então precisa acabar com braços cruzados, pois eles estão abrindo a porta da casa da gente para hidrelétricas, mineradoras, fazendeiros”, analisa Nailton Pataxó Hã-hã-hãe. Há exatamente um ano os Pataxó Hã-hã-hãe recuperavam a totalidade da Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, no extremo sul da Bahia, expulsando todos os invasores, grandes latifundiários de gado e monocultivos.

Demarcações de terras e PEC 215

Durante o governo Dilma Rousseff, apenas dez terras indígenas foram demarcadas no Brasil, sendo todas na região Norte – sete no Amazonas, duas no Pará e uma no Acre, ou seja, áreas que hoje não envolvem os conflitos mais encarniçados entre latifundiários invasores e comunidades indígenas. Os dados são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), com base nas publicações do Ministério da Justiça no Diário Oficial da União. Uma vez que 335 terras estão em alguma das fases do procedimento de demarcação, em dezenas com demora de dez, 20 anos para a conclusão, caso da Terra Indígena Morro dos Cavalos (SC), e outras 348 reivindicadas, a quantidade recente de demarcações é abaixo do esperado pelos povos indígenas e Ministério Público Federal (MPF). Para completar, a PEC 215 vem com grande força.

Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sob intensos protestos de comunidades indígenas, a PEC 215 teve comissão formada por decisão do deputado federal Henrique Alves (PMDB/RN), presidente da casa e eleito com o compromisso de encaminhar a PEC 215 para votação. A proposta da bancada ruralista visa transferir do Executivo para o Legislativo o processo de demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e a criação de Áreas de Proteção Ambiental. Com a maior bancada no Congresso Nacional, controlando ¼ da Câmara, ruralistas passariam a ter influência direta nas decisões de demarcações, atendendo aos próprios interesses.

sábado, 13 de abril de 2013

A AMYRA EL KHALILI - agrdecimentos

Faço questão de publicar neste post uma poesia de Tawfic Zayyad , palestino de Nazaré , para manifestar meus mais profundos agradecimentos à professora Amyra El Khalili que ontem, dia 12 de abril de 2013, nos presenteou com uma belíssima palestra que, antes, foram palavras de incentivo, carinho e amor às causas dos povos.

Se poeta fosse, escrever-lhe-ia uma poesia. Mas, não sendo, valho-me dos escritos de quem com sangue e resistência o é.


Obrigado AMYRA EL KHALILI !!!

Não iremos embora
Tawfic Zayyad*

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidro
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas
Para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus
Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeamos as idéias como o fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui
Temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro 

*Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré, é considerado um pioneiro da poesia de resistência. A maior parte de sua obra foi escrita na prisão.