domingo, 20 de julho de 2014

Tá chegando a hora: TRIBUTO A RESISTÊNCIA DOS POVOS DA AMAZÔNIA


TRIBUTO A RESISTÊNCIA DOS POVOS DA AMAZÔNIA
Do progresso que mata e destrói as ciências para  o “Vivir Bien”

Universidade Federal do ACRE – UFAC

Rio Branco, 23 a 25 de julho de 2014

No período de 22 a 27 de julho do corrente, a UFAC sediará a 66ª Reunião Anual da SBPC, cujo tema é: “Ciência e Tecnologia em uma Amazônia sem Fronteiras”. Uma vez mais, os clamores em prol do “desenvolvimento científico” e do “progresso” para solucionar os “problemas da Amazônia”, presidirão a pauta dos meios de comunicações dominantes.

Ademais de um cenário marcado pela intensiva instrumentalização do discurso científico – para fins de legitimação das adaptações instituídas sob os cânones  da  “economia verde” – acelera-se a destruição em larga escala. O enorme desastre produzido pelas hidrelétricas no rio Madeira aparece como um dos exemplos mais emblemáticos dos nexos entre Ciência, Capital e Estado nessa fase atual de espoliação também na Pan Amazônia.

Sob essa perspectiva, a realização desse Tributo à Resistência dos Povos da Amazônia, simultaneamente à Reunião Anual da SBPC, nos parece bastante oportuna para aprofundar essas reflexões. Pretende-se, além de uma justa lembrança e homenagem às vitimas do “progresso”, chamar atenção para outras perspectivas emancipatórias, como aquelas identificadas com a filosofia do “Vivir Bien”.

PROGRAMA
Dia 23/07
– Manhã
8:30 h – Abertura  
João Lima (ADUFAC); Elder Andrade (NUPESDAO); NINAWA (FEPHAC); Pedro Casanova (As. FADEMADPeru); Manuel Lima (Comunidade trinchera–Bolivia); Jones Dari (ADUFGD); Amyra El Khalili (Aliança RECOs); Lucia Ortiz (Amigos da Terra Brasil)
Tarde
 A destruição tem preço? Pode-se confiar nas garantias da Ciência? As revelações do megadesastre das hidrelétricas no rio Madeira.
Mesa 1: (15 h às 16:30) A dimensão da devastação da cheia amplificada pelas UHEs de Santo Antônio e Jirau: as vozes das comunidades na bacia do rio Madeira na Bolívia e no Brasil
Geovane da Costa Souza e Marcio Santana de Lima (Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB-RO); José Alves ( UFAC)

Mesa 2: (16:50 h às 18:40) A ciência a serviço do modelo neoextrativista e a ciência recíproca com a resistência social: Licenciamento fraudado e novos estudos do Madeira em questão
-Luis F. Novoa (UNIR); Philip Fearnside (INPA); Edna Castro (UFPA); Célio Bermann (USP); Jorge Molina (IHH/Bolívia)

Dia 24/07
– Manhã
9 h – A destruição tem preço? Pode-se confiar nas garantias da Ciência? Exploração petroleira (de Yasuni a Coari / Juruá); Mineração (de Carajás a Madre de Dios).
Lindomar Padilha (CIMI); Barbara Silva (militante da comunicação comunitária na Pan Amazônia), Raimundo G. Neto (CEPASP/Movimento dos Atingidos por Mineração); Simeon Velarde (Vanguardia Amazónica-Peru), Ana Patrícia (COMIN)
– Tarde
15 h –  Territórios indígenas e camponeses na mira da “economia verde”
Diego Cardona (Amigos da Terra Internacional); Lucia Ortiz (Amigos da Terra Brasil), Luiz Zarref (MST); Amyra El Khalili (Aliança RECOs)Ninawa (FEPHAC)
– Noite
Apresentação de documentários sobre a Amazônia.
Dia 25/07
– Manhã
9 h – “Economia verde” no Acre: apontamentos  preliminares da Missão realizada pela Relatoria do Direito Humano ao Meio Ambiente  da Plataforma Dhesca
Cristiane Faustino (Plat. Dhesca); Luiz Zarref (MST); Dercy Teles (STTR de Xapuri); Maria de Jesus (UFAC)
– Tarde
15 h – Com ciências para o “Vivir Bien”
Fernando Heredia (CIPCA- Bolivia); Manuel Lima (Comunidade Trinchera–Bolivia); Maximiliano Ochante (UNAMAD-Peru); Gerson R. Albuquerque (UFAC); keã Huni Kui (Comunidade Huni Kui Hené Bariá)
– Noite
Show Musical “Zeitgeisten: música em tempos de cólera”, com Sérgio Pacthouli e João Veras.

Local  do evento
Sede da ADUFAC – BR 364, Km 05

Promoção e realização


images                                  ADUFAC
                                                                                             
image002          Fephac i            http://www.cimi.org.br/site/imagens/logo.png



  sindicato Xapuri i     http://www.natbrasil.org.br/imagens/logo.gif     
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

CIMI lança relatório de violência contra os povos Indígenas no Brasil dados de 2013

Omissão do governo é a maior causa da violência contra os indígenas no Brasil

Por Patrícia Bonilha, - Assessoria de Comunicação - Cimi 
de Brasília (DF)
Os dados do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil referentes a 2013 evidenciam que a política indigenista em curso no país é omissa no que tange ao cumprimento das diversas obrigações constitucionais e da efetivação dos direitos indígenas. A total paralisação dos processos de demarcação de terras indígenas, os altos índices de mortalidade infantil, suicídio, assassinato, racismo e de desassistência nas áreas de saúde e educação indicam uma atitude de extremo descaso do governo em relação às populações indígenas. Na publicação, organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), afalta de empenho e vontade política na proteção e promoção dos direitos desses povos fica evidente também em uma análise dos dados do Orçamento Geral da União de 2013. 
Um dos mais explícitos indícios da omissão governamental foi a total paralisação das demarcações de terras indígenas no ano passado, que teve um reflexo direto no acirramento dos conflitos nas aldeias em todo o país. Apesar de uma homologação ter sido assinada, nenhum procedimento demarcatório foi concluído em 2013. Desse modo, a média anual de terras demarcadas da presidenta da República Dilma Rousseff diminuiu para 3,6, a pior média desde o fim da ditadura militar, consolidando-a como a chefe de Estado que menos demarcou terras indígenas na história recente do país.
De acordo com os dados do relatório, das 1.047 terras indígenas reivindicadas pelos povos atualmente, apenas 38% estão regularizadas. Cerca de 30% das terras estão em processo de regularização e 32% sequer tiveram iniciado o procedimento de demarcação por parte do Estado brasileiro. Das terras indígenas regularizadas, em termos de extensão territorial, 98,75% se encontram na Amazônia Legal. Enquanto isso, 554.081 dos 896.917 indígenas existentes no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, vivem nas outras regiões do país, que têm apenas 1,25% da extensão das terras indígenas regularizadas.
Existem 30 processos de demarcação de áreas já identificadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como terras indígenas tradicionais que não têm nenhum impedimento administrativo ou litígio judicial. Ou seja, não há nenhuma pendência ou obstáculo para a efetivação da demarcação dessas terras. Desses 30 processos, 12 dependem somente da assinatura da Portaria Declaratória pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, 17 terras indígenas aguardam a homologação pela presidenta da República, Dilma Rousseff, e um processo aguarda a expedição do Decreto de Desapropriação, também pela presidenta Dilma. Outros cinco processos estão na mesa da presidenta da Funai, Maria Augusta Assirati, aguardando apenas a assinatura de aprovação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação. Estes dados evidenciam ainda que a proposta de realizar Mesas de Diálogo como forma de resolver a morosidade dos processos de demarcação e os conflitos fundiários foi totalmente fracassada.
De acordo com a Constituição Federal, todas as terras indígenas deveriam ter sido demarcadas até 1993. No entanto, os compromissos assumidos com os setores vinculados ao agronegócio, às empreiteiras, mineradoras e empresas de energia hidrelétrica impossibilitam o governo de cumprir suas obrigações constitucionais. Os interesses privados destes grupos encontram ressonância na política desenvolvimentista praticada pelo governo e também em seus interesses eleitoreiros. “Como é de conhecimento público, estes setores são justamente os inimigos históricos dos povos indígenas e os principais responsáveis pelos massacres, etnocídios e espoliações dos territórios destes povos, além de outros tipos de violência”, evidencia Cleber Buzatto, secretário executivo do Cimi.
Também não é pela falta de recursos financeiros que as demarcações não foram realizadas. Nos desdobramentos do programaFiscalização e Demarcação de Terras Indígenas, Localização e Proteção de Índios Isolados e de Recente Contato existe uma ação denominada “Delimitação, Demarcação e Regularização de Terras Indígenas”, cuja dotação orçamentária em 2013 foi de R$ 21,642 milhões. No entanto, foram liquidados apenas R$ 5,4 milhões (ou 24,96% do montante). “Observa-se, portanto, que muitos outros procedimentos administrativos poderiam ter sido conduzidos com os 76,04% dos recursos que deixaram de ser aplicados. Portanto, as razões para a não demarcação são vinculadas ao plano político e aos projetos de desenvolvimento do país, nos quais os povos indígenas têm sido considerados irrelevantes e desnecessários”, afirma Iara Bonin, em sua análise sobre a execução orçamentária.
Apesar do orçamento para a assistência em saúde indígena, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ter quadruplicado nos últimos quatro anos, ela continuou marcada por uma absoluta omissão na implementação de ações - algumas bastante básicas - que poderiam salvar milhares de vidas anualmente. Um exemplo devastador dessa omissão é o índice de mortalidade infantil em 2013. Dados da Sesai informam que morreram 693 crianças de 0 a 5 anos entre os meses de janeiro e novembro. O caso mais impressionante é o do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, em Roraima, com 124 mortes. Enquanto a Sesai relata que nesse mesmo período ocorreram 17 mortes de crianças menores de 5 anos no Mato Grosso do Sul, dados mais recentes do Dsei, de abril de 2014, apresentam um total de 90 óbitos de crianças menores de 5 anos somente neste estado, entre os meses de janeiro a dezembro. Ainda de acordo com o Dsei/MS, o coeficiente de mortalidade infantil de menores de 5 anos é de 45,9 para cada 1.000 indígenas nascidos, mais que o dobro da média nacional em 2013, que é de 19,6 segundo o IBGE, variando de acordo com as regiões.
Novamente, verifica-se que o problema não está relacionado à falta de recursos. Para o programa Saneamento Básico em Aldeias Indígenas para Prevenção e Controle de Agravos foi autorizada a execução de R$ 27,7 milhões, mas o governo utilizou irrisórios 1,39%, deixando de aplicar, portanto, RS 27,3 milhões. A utilização destes recursos para a construção de poços artesianos em várias regiões brasileiras certamente diminuiria o índice de doenças e agravos que vitimizam especialmente as crianças, como a diarreia. “Apesar de todas as denúncias apresentadas pelo movimento indígena e por entidades indigenistas, além de ações judiciais impetradas pelo Ministério Público Federal (MPF), o governo federal mantém-se insensível frente às mortes causadas por doenças facilmente tratáveis”, considera Roberto Liebgott, representante do Cimi na Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi).
O Mato Grosso do Sul continua sendo o estado que mais viola os direitos indígenas. Em 2013 foram registradas no estado 33 vítimas de assassinatos (62% do total no país), 16 casos de tentativas de assassinatos (de um total de 29 no país) e, segundo a Sesai, 73 vítimas de suicídios. Este índice configura-se como o maior em 28 anos, de acordo com os registros do Cimi. Dos 73 indígenas que se suicidaram, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre 15 e 30 anos.
Do total de 33 assassinatos no estado, 31 ocorreram entre indígenas do povo Guarani-Kaiowá e dois casos do povo Terena.Nos últimos 11 anos, os levantamentos do Cimi mostram que pelo menos 616 indígenas foram assassinados no país, sendo que 349 destas mortes ocorreram no Mato Grosso do Sul, onde a maioria das comunidades vive em situação de extrema precariedade, em acampamentos improvisados nas margens das rodovias, nas áreas de preservação obrigatória – faixa de domínio – dentro das fazendas, ou confinados em pequenas reservas criadas pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), no início do século passado. A Reserva Indígena de Dourados, por exemplo, apresenta a maior densidade populacional entre todas as comunidades tradicionais do país, abrigando mais de 13 mil indígenas em 3,6 hectares de terra. Nela aconteceram 18 dos 73 casos de suicídio no estado em 2013.
Também foi frequente em 2013 a difusão de discursos com teor preconceituoso e racista em meios digitais de informação, jornais, televisão e rádio. Com o registro de 23 ocorrências, estes casos mais que dobraram em relação a 2012, quando 11 registros foram feitos. Os polêmicos vídeos dos deputados federais Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS) inserem-se nesses casos de racismo e incitação à violência contra os povos indígenas. “Em 2013, o crime de racismo manifestou-se de diferentes formas contra os povos indígenas: no impedimento de usarem o transporte coletivo ou de estudantes frequentarem a escola; na não contratação, mesmo que para subempregos; nas inúmeras agressões e ofensas verbais; no não reconhecimento da sua condição de indígena; na impossibilidade de acesso a benefícios sociais; na recusa de receberem atendimento médico; na obrigação de crianças indígenas lavarem banheiros nas escolas e no recebimento de merenda menor que as crianças não indígenas; e na condenação por crimes, mesmo sem provas substanciais, como foi o caso que envolveu o povo Tenharim, no Amazonas”, resume a antropóloga Lúcia Rangel, coordenadora da pesquisa do relatório.
Em relação a este episódio, Egydio Schwade, ex-secretário executivo do Cimi e profundo conhecedor da Amazônia, afirma em seu artigo que as agressões ao povo Tenharim são bastante antigas e a sua motivação sempre foi de ordem econômica espoliadora. “Nesse sentido, não se avista nenhuma justiça para os povos indígenas da região no curto prazo. Nenhum relatório conclusivo que vá ao encontro da justiça. Ao contrário, os inquéritos policiais acabam levando a um e mesmo beco sem saída justa, porque a 'justiça' já foi previamente programada para a condenação de inocentes, dos índios 'no plural', como 'bodes expiatórios'. Tudo para proteger os interesses em jogo dos madeireiros, mineradores, fazendeiros e agronegociantes”, conclui Schwade.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Kátia Abreu visita Indígenas? Por D.Heriberto Hemmes

Por Heriberto Hemmes *           
Foto: Pedro Barbosa/Faet/CNA/Senar
Fiquei indignado, mas não surpreso, com mais esta,  da senadora Kátia Abreu! Parece que elá já começou, em junho,  sua campanha  para reeleição, tentando conquistar indígenas do Tocantins:  dando presentes às crianças; fazendo uma festa para adultos/as; colocando um cocar na cabeça e tirando fotos com eles/elas; e chamando-os/as  de “amigos/amigas”  (ou era até de “irmãos e irmãs”??)!  
Guardei outra reportagem relatando sua pressão na Casa Civil, a interrupção da demarcação de Terras Indígenas e do registro de crianças como indígenas no estado do Tocantins, porque não existem mais!  Ela e o irmão dela fizeram oposição e violentas críticas sobre o retorno dos Xavantes à sua Terra Indígena Marãiwatsédé (São Félix do Araguaia, Mato Grosso), chamando-os de “invasores”.  Também tentou convencer a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a PROIBIR seu organismo, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), de continuar seu trabalho de apoio e orientação aos indígenas nas reivindicações dos seus direitos constitucionais!  Agora, antes das eleições, com cara de pau, ela  virou “índia”!Veja o site. Ela, que na sua coluna da Folha de São Paulo, tem afirmado constantemente que não existem mais indígenas como uma cultura, (porque eles querem e têm televisão, celulares, internet, etc.) mas que indígenas estão totalmente “integrados/as” na sociedade brasileira, alegando assim um tipo de “monocultura” humana, como a monocultura que ela promove na agricultura.  Será que não é, no fundo, uma espécie de “eugenia”?  Será que para ela só deve existir no Brasil UMA MONOCULTURA, branca, ocidental, “civilizada”?
 Quando zangada, ela abre a boca suja e sai “m.....”!  lembre-se do episodio que ela atacou um coronel da segurança do governador!.  No vídeo Veneno está na Mesa” do cienasta silviol Tendler há um trecho onde ela fala que é preciso jogar muito veneno (agrotóxicos) nas lavouras “para baratear a comida para os pobres”!  E que a comida saudavel da agroecologia poderia seguir sendo comprada pelos ricos!  Quer dizer, envenenar e eliminar os pobres-famintos para assim combater a fome e a pobreza!  Também insiste que as vultuosas somas  de dinheiro trazidos (para uns POUCOS) pelo agronegócio, são mais importantes para a balança comercial do que a saúde dos trabalhadores que mexem com agrotóxicos e do povo que come alimentos contaminados!
Ela não gostou de ter sido chamada “Rainha do Desmatamento” (e entrou na justiça, mas perdeu o caso) e revoltou-se quando uma indígena quis presenteá-la com uma moto serra dourada.  Será que gostaria de ser chamada “Senadora Boca-Suja” ou, talvez mais apropriado de “Boca de M....a” ?  É o que sai quando ela se irrita.....E ela já foi multada por isso, mas continua.  Que vergonha para Tocantins, esta senadora!  Merece ser reeleita?  Esta mulher arrogante representa a moral, a ética, os princípios de respeito e dignidade de nós, tocantinenses?  Temos orgulho dela como nossa senadora?  Pessoalmente, eu tenho VERGONHA e INDIGNAÇÃO!
Heriberto Hemmes é bispo emérito de Cristalandia (TO). 
Leia também em  Brasil de Fato

quinta-feira, 10 de julho de 2014

MPF denuncia delegado da PF pelo assassinato de Adenilson Munduruku

Reproduzido a partir da página do CIMI - DF

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal em Itaituba o delegado da Polícia Federal (PF) Antonio Carlos Moriel Sanches pelo crime de homicídio qualificado contra Adenilson Kirixi Munduruku, morto durante a Operação Eldorado, no dia 7 de novembro de 2012, na aldeia Teles Pires, na divisa do Pará com o Mato Grosso. A exumação do corpo do indígena comprovou os depoimentos das testemunhas e demonstrou que ele foi executado com um tiro na nuca, depois de ter sido derrubado por três tiros nas pernas.
Pelo crime, o delegado pode ser condenado a até 30 anos de prisão. Se a denúncia for aceita pela Justiça, ele será submetido a julgamento pelo tribunal do júri. A Operação Eldorado deveria destruir balsas de garimpo que atuavam ilegalmente nas Terras Indígenas Munduruku e Kayabi. O coordenador da operação era o delegado Moriel Sanches.
No dia 6 de novembro, em uma reunião com os indígenas, teria sido feito um acordo para assegurar a destruição das balsas no rio Teles Pires. Não há evidência de que os índios da aldeia Teles Pires tenham participado de tal reunião. Mesmo assim, foi para lá que a equipe da Polícia Federal se dirigiu no dia seguinte, 7 de novembro, quando Adenilson foi assassinado.
“Ao perceberem que a Operação Eldorado iria ocorrer na Aldeia Teles Pires, alguns índios tentaram retirar os bens que achavam necessário para suas subsistências, sendo que um dos caciques  chegou perto do delegado tentando conversar com este para que não desse continuidade na destruição da balsa. O denunciado afirmou que a operação teria que ser realizada, e ainda empurrou a referida liderança indígena. Em reação, um dos indígenas que estava no local empurrou o braço do delegado Moriel, e como estavam próximos ao rio, em uma área de declive o denunciado veio a cair na água. Após tal situação, policiais federais passaram a atirar contra os indígenas e em direção ao rio. Atrás do cacique Camaleão estava um outro indígena, a vítima Adenilson Kirixi Munduruku”, narra a denúncia do MPF.
Um dos indígenas relatou os fatos que se seguiram, em depoimento ao MPF: “depois que o delegado empurrou essa liderança na qual ele iria atirar, o segurança do cacique empurrou o braço do delegado e ele escorregou e caiu na água, pois a área tem declive e o chão é liso, de barro. Foi a partir daí que começou o tiroteio. Nenhum indígena estava com arma de fogo. Os dois primeiros tiros contra a vítima foram dados pelo delegado, que ainda estava dentro da água, que estava pela cintura. Vários policiais começaram a atirar contra os indígenas que estavam no local. Três tiros acertaram as pernas da vítima Adenilson Kirixi, que perdeu o equilíbrio, caindo na água. Nesse momento o delegado, que ainda estava dentro da água, deu um tiro na cabeça da vítima, que já caiu morta e afundou no rio”.
O corpo de Adenilson só foi recuperado no dia seguinte. Todos os agentes da PF presentes na aldeia no momento do ataque disseram não se recordar dos fatos por estarem ocupados tentando controlar os indígenas. Em vista disso, e com base nos depoimentos dos indígenas, o MPF requisitou a exumação do corpo da vítima. O exame comprovou a execução. O tiro fatal atingiu Adenilson na parte de trás da cabeça, depois que três tiros nas pernas o tinham derrubado. A bala saiu pela parte da frente da cabeça da vítima, destroçando vários ossos do crânio.
Outros dois indígenas sofreram lesões corporais graves no dia 7 de novembro de 2012, mas não foi possível localizar provas que relacionassem os ferimentos diretamente aos agentes envolvidos na operação, por isso apenas o delegado Moriel foi denunciado.
Processo nº 0001608-90.2014.4.01.3908
Denúncia (trechos suprimidos contêm nomes de testemunhas e imagens que poderiam agredir a família da vítima)

Projeto Purus e a financeirização do meio ambiente. Entrevista especial com Elder Andrade de Paula

Publico na íntegra a entrevista do Professor Elder ao IHU por considerá-la fundamental para nossa compreensão do que realmente está acontecendo e o que está por trás do que muitos chamam de desenvolvimento sustentável. Já disse inúmeras vezes que no Acre, fomos vítimas de um estelionato político na medida que nos prometeram certas políticas e no fundo priorizaram outras. Este é o caso específico do que chamamos de "mercado verde". Um belo discurso de sustentabilidade encobrindo toda sorte de destruição ambiental e saques e espoliações dos territórios das comunidades tradicionais e povos indígenas. Abusam da imagem e do nome de Chico Mendes para continuarem investindo com sua sanha capitalista sobre os recursos naturais e os territórios. Ameaçam os ecossistemas e as populações para tirarem daí dividendos, inclusive políticos.

A exploração de petróleo e gás no Juruá, por exemplo, é prova cabal do estelionato a que me refiro. Não raras vezes chegam a apelar para o discurso fácil e mentiroso de que os povos indígenas vivem no "tempo dos direitos" ao mesmo tempo em que impedem as demarcações de suas terras. Desde o início do chamado "governo da floresta" nenhuma terra foi demarcada e se intensificaram os ataques às Reservas Extrativistas e às comunidades indígenas e tradicionais. O governo do Acre tem se valido insistentemente de ONGs inescrupulosas e especializadas na criação de engodo para se aproveitarem dos povos e comunidades fragilizados pelo próprio abandono institucional e ausência total de políticas públicas voltadas para estes povos.

Segue a entrevista:

“A ofensiva em torno da difusão de REDD e outros mecanismos identificados com Pagamentos por Serviços Ambientais - PSA cresceu monumentalmente após a eclosão da crise econômica do capitalismo iniciada em 2007-2008. Isso ocorreu porque, entre outras razões, o capital financeiro aproveitou-se da oportunidade para recompor parte do capital fictício ‘queimado’ na crise mais recente”, adverte o pesquisador.
Foto: geografianovest.blogspot.com.br
O sistema de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), um mecanismo financeiro adotado por diversos países para compensar as emissões de gases de efeito estufa provenientes da degradação florestal, “tem sido cada vez mais comum (...) em grandes eventos e também por parte de empresas”. Contudo, na avaliação de Elder Andrade de Paula, “esses projetos estão inseridos numa estratégia mais ampla de apropriação dos bens naturais pelos capitais privados”. Segundo ele, “valendo-se, por um lado, do ‘medo’ das possíveis tragédias advindas dos efeitos das ‘mudanças climáticas’ e, por outro, da ‘esperança’ em minimizar tais efeitos, esses projetos prometem reduzir as emissões de CO² via redução de desmatamento, como é o caso do Projeto Purus, no Acre”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, o pesquisador explica que no Acre foram anunciados dois projetos de REDD, o Purus e o Val Paraíso, os quais “devem ser entendidos como corolário de um conjunto de políticas identificadas com a matriz do capitalismo verde, instituídas pelo governo do estado a partir de 1999. Elas incluem a formulação de um Zoneamento Econômico Ecológico, Lei de concessão de Florestas Públicas e incentivo à expansão da exploração madeireira via Planos de Manejo Florestal Sustentável - PMFS e culminam com a Lei SISAem 2010, que institui os Pagamentos por Serviços Ambientais - PSA. No processo de institucionalização dessa Lei, foram privilegiados aqueles ‘serviços ambientais’ relacionados com ‘sequestro’ de carbono. Criaram-se instituições voltadas para operar com essas políticas e foram obtidos financiamentos externos para implementar o ‘Programa Isa-carbono’. Em fina sintonia com a matriz imperial instituída via Banco MundialUSAID e grandes ONGs conservacionistas como WWF, o estado do Acre é propagandeado como ‘modelo de economia verde’”. De acordo com o agrônomo, a implementação dos projetos “inviabiliza a reprodução social das populações e povos que vivem nas e das florestas. Além de imporem uma série de restrições à livre circulação e uso dos seus territórios, instituem mecanismos de controle que promovem uma devastadora desagregação dos laços de sociabilidade interna”.
Elder Andrade de Paula informa ainda que desde a implementação do REDD como medida para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, “aumentam as pressões dos agentes financeiros interessados na expansão desse tipo de negócio”. Segundo ele, a Fifa também participa do Projeto Purus para compensar os gases de efeito estufa gerados durante a realização da Copa do Mundo. “Nada melhor do que um megaevento como a ‘Copa do Mundo’ para massificar a difusão desse tipo de iniciativa. A FIFA tem um duplo ganho com isso, uma vez que defende os interesses das corporações a ela vinculadas e ao mesmo tempo vende uma imagem de uma organização ‘comprometida com o meio ambiente’, uma vez que estaria ‘compensando’ as emissões de CO² resultantes da realização da ‘Copa do Mundo 2014’”, critica. E rebate: “Obviamente, no caso da ‘copa do mundo’ não aparecem os ‘custos ambientais’ e sociais relativos à construção dos palcos (estádios/arenas) para realização dos espetáculos: contaminações resultantes da produção de materiais para construção dos mesmos, famílias expropriadas nos seus entornos, operários vitimados no ‘Itaquerão’ ou sob os escombros do viaduto em Belo Horizonte, etc. Mais ainda, não é computado o sofrimento das famílias atingidas por projetos como o Purus, apresentados como “compensação” para a neutralização do CO² gerado no decorrer da ‘Copa do Mundo 2014’”.
Elder Andrade de Paula é licenciado em Ciências Agrícolas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, especialista em Ciências Sociais com enfoque na Amazônia pela Universidade Federal do Acre – UFAC, mestre e doutor em Desenvolvimento Agrícola e Sociedade. Atualmente é docente da Universidade Federal do Acre – UFAC.

"Aquela maldita plaquinha ‘sorria, você está sendo filmado’, comum em sistemas de vigilância comercial nos centros urbanos, terá agora sua versão florestal"

Confira a entrevista.
 
 
IHU On-Line - Em que consistem e como surgiram os projetos privados de crédito de carbono no Acre, especialmente o Projeto Purus?
Elder Andrade de Paula - Esses projetos estão inseridos numa estratégia mais ampla de apropriação dos bens naturais pelos capitais privados. Sua característica fundamental reside no maior estreitamento dos vínculos diretos entre mercantilização e financeirização da natureza em escala planetária. Isso implica na necessidade de instituir uma padronização das legislações nacionais com vistas a assegurar novas modalidades de contratos – como é o caso do “mercado de créditos de carbono” – e facilitar a operação dos mesmos no âmbito do sistema financeiro internacional.  Valendo-se, por um lado, do “medo” das possíveis tragédias advindas dos efeitos das “mudanças climáticas” e, por outro, da ‘esperança” em minimizar tais efeitos, esses projetos prometem reduzir as emissões deCO² via redução de desmatamento, como é o caso do Projeto Purus, no Acre.
No Acre, os dois projetos privados anunciados publicamente até o presente (Purus e Val Paraíso/Russas) devem ser entendidos como corolário de um conjunto de políticas identificadas com a matriz do capitalismo verde, instituídas pelo governo do estado a partir de 1999. Elas incluem a formulação de um Zoneamento Econômico EcológicoLei de Concessão de Florestas Públicas e incentivo à expansão da exploração madeireira via Planos de Manejo Florestal Sustentável - PMFS e culminam com a Lei SISA em 2010, que institui os Pagamentos por Serviços Ambientais - PSA. No processo de institucionalização dessa Lei, foram privilegiados aqueles “serviços ambientais” relacionados com “sequestro” de carbono. Criaram-se instituições voltadas para operar com essas políticas e foram obtidos financiamentos externos para implementar o “Programa Isa-carbono”. Em fina sintonia com a matriz imperial instituída via Banco MundialUSAID e grandes ONGs conservacionistas como WWF, o estado do Acre é propagandeado como “modelo de economia verde”.
O Projeto Purus deve ser interpretado, portanto, como expressão deste amálgama entre os   interesses externos e os das oligarquias regionais. Isto é, uma versão colonial atualizada do período marcado pelo monoextrativismo da borracha entre final do século XIX e meados do XX. A leitura das 122 páginas que compõem o Projeto Purus, “um projeto de conservação da floresta tropical no Acre-Brasil”, é suficientemente esclarecedora a esse respeito. Logo na introdução (página 6), afirma que: “O Projeto Purus é um projeto de conservação de floresta tropical que busca o pagamento por serviços ambientais, também conhecido como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), em uma área de propriedade privada situada no Estado do Acre-Brasil, com 35.169 hectares (...) Os três principais proponentes do projeto são: CarbonCo LLC ("CarbonCo"), Freitas International Group, LLC ("Freitas International Group ou Carbon Securities"), e Moura & Rosa Investimentos LTDA. ("Moura & Rosa" ou "M&R"). CarbonCo, a subsidiária integral da Carbonfund.org, é responsável por obter a certificação e o financiamento do Projeto. Carbon Securities atua no agenciamento, consultoria, logística, tradução e intermediação entre CarbonCo e Moura & Rosa. Moura & Rosa é uma empresa situada no Estado do Acre-Brasil, proprietária de terras e principal responsável pela gestão e implementação do projeto ambiental (...) O Projeto está sendo desenvolvido e registrado sob o Clima, Comunidade e Biodiversidade Standard (CCBS, segunda edição) e o Verified Carbon Standard (VCS, Versão 3.2). Além disso, o projeto está alinhado com as Normas de REDD e os Pagamentos Ambientais e Sociais do Estado do Acre por Serviços Ambientais (Lei nº 2.308/2010).”
IHU On-Line - Como esses projetos impactam o desenvolvimento de atividades tradicionais agrícolas na região?  Quais são as atividades que sofrem restrições e o que muda no modo de trabalho das comunidades tradicionais com a implantação desses projetos?
Elder Andrade de Paula - A implementação desses projetos inviabiliza a reprodução social das populações e povos que vivem nas e das florestas. Além de imporem uma série de restrições à livre circulação e uso dos seus territórios, instituem mecanismos de controle que promovem uma devastadora desagregação dos laços de sociabilidade interna. Na página 36 do referido projeto informa-se que “Nas fases anteriores do projeto, havia quatro membros da comunidade, informalmente, considerados ‘os olhos e ouvidos’ da propriedade Projeto Purus”, e afirma-se que, ao longo da duração do Projeto, os seus proponentes gostariam de implementar, entre outros, o início do “Trabalho das Patrulhas de Fiscalização de Desmatamento, Caça e Biodiversidade”. Além dos integrantes da comunidade por eles selecionados para esse fim, contarão ainda com sofisticados sistemas de vigilância controlados por satélite e também por outros tipos de equipamentos como os Trikes, ilustrado na imagem a seguir.
Fonte da foto: Projeto Purus, um projeto de conservação da floresta tropical no Acre-Brasil (pg 37)
Aquela maldita plaquinha “sorria, você está sendo filmado”, comum em sistemas de vigilância comercial nos centros urbanos, terá agora sua versão florestal.  A vida dessas populações será tão infernizada, que elas serão obrigadas a abandonar seus territórios.
IHU On-Line - Quais são as comunidades afetadas pelo Projeto Purus e como elas se posicionam em relação ao projeto?
Elder Andrade de Paula - No apêndice "A" do Projeto aparece uma lista com dezoito nomes de representantes das famílias por eles identificadas. No ano passado (2013), foi denunciado publicamente [1] o total desconhecimento por parte dos moradores dessa área (formada pelos seringais Porto Central e Itatinga no município de Manoel Urbano) em relação ao conteúdo do Projeto e o receio de serem expulsos de seus territórios. O problema é que tanto os moradores dessa área do projeto Purus quanto os demais de outras áreas que já estão sendo afetadas pelo conjunto das políticas identificadas com a “economia verde” estão com sua capacidade de reação muito fragilizada. A maioria de suas representações foi cooptada e amordaçada pelas oligarquias que governam o Acre [2].

"Este tipo de mecanismo, por estar rigorosamente subordinado à lógica destrutiva do capital, não deve ser interpretado como solução"

IHU On-Line - Qual é a relação da Fifa com o projeto Purus?
Elder Andrade de Paula - Em que pesem as críticas aos mecanismos de compensação instituídos no escopo da economia verde, como é o caso doREDD, aumentam as pressões dos agentes financeiros interessados na expansão desse tipo de negócio. Desse modo, nada melhor do que um megaevento como a “Copa do Mundo” para massificar a difusão desse tipo de iniciativa. A FIFA tem um duplo ganho com isso, visto que defende os interesses das corporações a ela vinculadas e ao mesmo tempo vende uma imagem  de uma organização “comprometida com o meio ambiente”, uma vez que estaria “compensando” as emissões de CO² resultantes da realização da “Copa do Mundo 2014”.
IHU On-Line - É possível estimar o custo ambiental da Copa do Mundo?
Elder Andrade de Paula - Os especialistas nessa questão afirmam que sim e vendem esses cálculos para “todo tipo de freguês”. Tem sido cada vez mais comum aparecer alusões a esse mecanismo em grandes eventos e também por parte de empresas. No Brasil, já vi uma empresa aérea anunciar durante seus voos que suas “emissões de CO²estão sendo neutralizadas” através de projetos de compensação. Obviamente, no caso da “copa do mundo” não aparecem os “custos ambientais” e sociais relativos à construção dos palcos (estádios/arenas) para realização dos espetáculos: contaminações resultantes da produção de materiais para construção dos mesmos, famílias expropriadas nos seus entornos, operários vitimados no “Itaquerão” ou sob os escombros do viaduto em Belo Horizonte, etc. Mais ainda, não é computado o sofrimento das famílias atingidas por projetos como o Purus, apresentados como “compensação” para a neutralização do CO² gerado no decorrer da “Copa do Mundo 2014”.
IHU On-Line - Qual tem sido a popularidade e abrangência dos projetos de REDD+? Quais os prós e contras dessa medida? Ela de fato contribui para minimizar as emissões de gás carbônico e reduzir os impactos das mudanças climáticas?
Elder Andrade de Paula - A ofensiva em torno da difusão de REDD e outros mecanismos identificados comPagamentos por Serviços Ambientais - PSA cresceu monumentalmente após a eclosão da crise econômica do capitalismo iniciada em 2007-2008. Isso ocorreu porque, entre outras razões, o capital financeiro aproveitou-se da oportunidade para recompor parte do capital fictício “queimado” na crise mais recente. Através do mercado de créditos de carbono, pode-se “da noite para o dia” incidir na recomposição desse capital fictício. Mais ainda, a eficácia desses projetos no controle imperialista sobre os territórios dotados de bens naturais estratégicos (água, florestas, biodiversidade, etc.) é monumental, como bem destacou a economista Amyra El Khalili em uma conferência realizada na UFAC em 2013. Em síntese, estou querendo enfatizar a ideia de que este tipo de mecanismo, por estar rigorosamente subordinado à lógica destrutiva do capital, não deve ser interpretado como solução. A solução, como afirmam os ecossocialistas, passa necessariamente pelo enfrentamento das causas estruturais da  destruição inerente a esse padrão de produção, distribuição e consumo instituído no decorrer da civilização capitalista.  
NOTAS
[1] A esse respeito ver artigo de Verena Glass “Projetos de carbono no Acre ameaçam direito a terra”http://reporterbrasil.org.br/2013/12/projetos-de-carbono-no-acre-ameacam-direito-a-terra/ 
[2] Mais informações sobre os efeitos dessas políticas no Acre, ver “Dossiê Acre” www.cimi.org.br/pub/Rio20/Dossie-ACRE.pdf

segunda-feira, 7 de julho de 2014

MANIFESTAÇÃO EM FRENTE A REDE GLOBO DIA 09 de JULHO às 11:30hs – São Paulo

Manifesto Pela Honra Libanesa
Muitos perguntam o que existe “Sob o Véu”, nós dizemos: Sob o Véu há Fé!
O que existe sob um véu? O que o olhar da mulher árabe transmite? O que é ser mulher no Oriente médio?
Sob um véu não existe só uma mulher, existem sonhos, existem princípios, existem mães de famílias, existe FÉ!
Mulher no Oriente médio (especificamente o Líbano) cria filhos, é esposa, por vezes trabalham, é comum vê-las estudando, é MULHER! E o que estas mulheres transmitem com seus olhares é o anseio pelo respeito com suas crenças, a força que guardam dentro de si, é o objetivo de ser respeitada. E não respeitada apenas pelos maridos ou pais e irmãos, nem apenas por seus filhos e Estado, mas respeitadas pelas mídias oportunistas que tentam a todo custo ganhar espaço com afirmações levianas, que ultrapassam os direitos delas. Ultrajam os direitos não só delas, mas de seus filhos, de seus maridos, pais e irmãos.
O que esta acontecendo?
Como já é de conhecimento geral o programa Fantástico, da Rede Globo de televisão, exibiu uma entrevista no domingo, dia 29, denegrindo a mulher Muçulmana, Cristã Ortodoxa, e todos árabes libaneses e descendentes. A reportagem se referia ao modo como as mulheres são tratadas pelos maridos, matéria tendenciosa, preconceituosa e manipuladora. 

De fato no oriente médio se faz necessária uma revisão em suas leis, porém em hipótese alguma uma emissora deve transmitir como verdade coisas que são levianas, ou então colocar em um mesmo patamar pessoas que são dignas de respeito comparadas a minorias extremistas.

A reportagem exibida pela emissora feriu vários direitos e não usou como do jornalismo sua essência, que é reportar os dois lados, ser imparcial, transmitir a verdade em qualquer hipótese. Para início de analise a foto da mulher com olho roxo, não é nem referente ao país em questão na matéria, as mulheres de lenço chorando não são referentes ao mesmo tema apresentado, a cartilha que o cônsul brasileiro apresentou não é algo inédito, haja visto já existe há anos, e a emissora citou-a sem ao menos divulgar seu conteúdo. Jornalismo verdade? Cadê?
O Evento

A comunidade islâmica se revoltou, sentiu-se ferida, caluniada, com seus direitos “estuprados” pela emissora. De tanta indignação um grupo de jovens se juntou para organizar uma manifestação no próximo dia 9 de julho, ás 11:30, em frente a sede da emissora Globo em São Paulo ( Av. Dr. Chucri Zaidan, 46). Evento este que não será uma causa ‘islâmica’ apenas, mas cristã ortodoxa, maronita e de todos descendentes de árabes libaneses que de alguma forma se sentiram difamados.

O evento acontecerá para pedir mais conscientização da Rede Globo e menos manipulação em seus conteúdos, menos parcialidade, perseguição contra o povo do oriente médio e religiões relacionadas (em destaque o islamismo). É também por um direito de resposta, direito este que foi negado a uma entidade islâmica e que o consulado libanês tem procurado meios de conseguir também (que para tal, provavelmente terão que processar a emissora).
Muitos perguntam o que existe “Sob o Véu”, nós dizemos: Sob o Véu há Fé!
"Porque há o direito ao grito, então eu grito"
(Clarisse Lispector)

Mais informações:
Sâmia El Saifi
(11) 942105655 -  samia.saifi@uol.com.br

domingo, 6 de julho de 2014

Belo Monte: ação de consulta aos povos indígenas arrasta-se há oito anos na Justiça

A petição judicial, denominada amicus curiae (“amigos da corte”), traz novos argumentos para apoiar o STF no julgamento da ação judicial que questiona a ausência de consulta prévia aos indígenas afetados pela usina de Belo Monte (PA). O documento foi elaborado pelo ISA, Associação Indígena Yudjá Mïratu da Volta Grande do Xingu (AYMÏX), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Asociación Interamericana para la Defensa del Ambiente (Aida) e pelo Centro de Estudios de Derecho, Justicia y Sociedad (Dejusticia).
O Ministério Público Federal (MPF) propôs ação judicial em 2006 contra a autorização do Congresso para construção da usina, pois não teria havido consulta aos indígenas potencialmente afetados. Apesar do Tribunal Regional Federal já ter julgado a ação e ter dado ganho de causa ao MPF, uma decisão provisória obtida por meio do mecanismo legal chamado de “suspensão de segurança” permite que as obras continuem. As organizações atuaram em conjunto para levar ao STF subsídios contra essa decisão provisória.
Questionamentos judiciais à construção têm sido sistematicamente barrados com base na suspensão de segurança, muito usada durante a ditadura militar. Por meio desse instrumento, o Executivo pode pedir que decisões do Judiciário sejam anuladas sem que o mérito do processo sejam avaliados, sob alegação de possibilidade de "grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas".
Segundo a petição, o desrespeito ao direito dos indígenas à consulta livre, prévia e informada é responsável, por exemplo, pelo atual agravamento dos indicadores de saúde indígena na região e pelo aumento na invasão de terras indígenas desde o início da construção da usina.
Carta ao presidente do STF
No mesmo dia, o Movimento Xingu Vivo e outras organizações socioambientalistas divulgaram uma carta solicitando audiência urgente com o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que deverá assumir a Presidência da corte nas próximas semanas. As organizações pretendem pedir a Lewandowski que coloque em pauta o caso, que se arrasta no Judiciário há oito anos.
Para os autores da carta, a omissão do STF estaria criando, neste e em outros casos, uma “jurisprudência às avessas” em matéria de direitos humanos e de responsabilidade socioambiental.
A carta cita a revogação de Unidades de Conservação por meio de Medida Provisória para possibilitar a construção de hidrelétricas no Rio Tapajós como um exemplo de violação perante a qual o Judiciário estaria sendo “complacente”. A carta também critica a emissão de licenças ambientais sem a anuência da Funai e o uso indiscriminado da Suspensão de Segurança.
A carta, protocolada no gabinete do ministro Lewandowski, afirma que foram apresentados diversos pedidos de audiência com o ministro Joaquim Barbosa desde que ele assumiu a presidência do STF em 2012, mas nenhum foi respondido. “Sequer foi acusado o recebimento de nossas correspondências, o que entendemos como uma dívida que a Presidência deste Tribunal ainda tem conosco”, diz o documento.
Leia o Amicus Curiae e a carta